13 setembro 2015

Jardim Itatinga

Jardim Itatinga é o único bairro no Brasil exclusivamente voltado à prostituição. Criado em 1966 pelo governo militar em Campinas (São Paulo), a localidade é considerada um das maiores áreas de prostituição da América Latina e foi tese de doutorado da arquiteta, urbanista e professora Diana Helene.
Para a pesquisadora, a decisão de criar o bairro, em uma área afastada do município - entre as rodovias Santos Dumont e Bandeirantes -, foi baseada em conceitos morais e numa divisão entre dois papéis de mulheres que não poderiam conviver juntos.
"A 'santa' e 'puta', que não poderiam se misturar, principalmente com o grande crescimento urbano na década de 1960, devido a onda de industrialização. Lá, as prostitutas estão protegidas para encarnar livremente seu papel, sem entrarem em conflito. Os clientes também ficam protegidos, de modo a não serem estigmatizados", disse a professora, em entrevista ao G1.
O bairro tem suas particularidades e o visitante que chega ao Jardim Itatinga se depara com um local que tudo gira em torno da prostituição. Há até lojas especializadas para atender as necessidades das profissionais.
No entanto, nem todos que moram no bairro vivem da prostituição, por isso ao caminhar pela região é comum encontrar nas portas das residências, que não têm ligação com o mercado sexual, placas de sinalização que dizem "casa de família".
Os serviços sexuais são oferecidos 24h por dia, a semana inteira. As profissionais atuam de duas formas: algumas abordam os clientes nas ruas que chegam de carro e outras ficam em boates.
"Diversas mulheres se iniciaram na prostituição trabalhando no bairro e grande parte veio de outras cidades do interior e muitas de outros estados. Ou seja, o bairro é uma localidade de referência de acolhimento de prostitutas iniciantes", destaca a pesquisadora.
A professora esclarece ainda que a escolha de trabalhar numa "casa" do Itatinga parte principalmente das jovens e iniciantes que buscam manter a profissão em segredo.