11 janeiro 2013

IPVAlto

O dono de uma Mercedes SLR MC Roadster, ano 2010, pagará o Imposto sobre Propriedade de Veículos Automotores (IPVA) mais caro do Rio de Janeiro. De acordo com o valor venal publicado no Diário Oficial do Estado, o modelo custa R$ 2.116.976,00 e deve um tributo no valor de R$ 84.679,00, aplicada a alíquota de 4% sobre veículos a gasolina. O valor é superior ao de carros mais novos, como a Ferrari GTO de 2011, que tem preço de R$ 1.684.363,00 e pagará taxa de R$ 67.374,00 para rodar nas ruas do Estado.

09 janeiro 2013

Última Crônica

A caminho de casa, entro num botequim da Gávea para tomar um café junto ao balcão. Na realidade estou adiando o momento de escrever. A perspectiva me assusta. Gostaria de estar inspirado, de coroar com êxito mais um ano nesta busca do pitoresco ou do irrisório no cotidiano de cada um. Eu pretendia apenas recolher da vida diária algo de seu disperso conteúdo humano, fruto da convivência, que a faz mais digna de ser vivida. Visava ao circunstancial, ao episódico. Nesta perseguição do acidental, quer num flagrante de esquina, quer nas palavras de uma criança ou num acidente doméstico, torno-me simples espectador e perco a noção do essencial. Sem mais nada para contar, curvo a cabeça e tomo meu café, enquanto o verso do poeta se repete na lembrança: "assim eu quereria o meu último poema". Não sou poeta e estou sem assunto. Lanço então um último olhar fora de mim, onde vivem os assuntos que merecem uma crônica. 
Ao fundo do botequim um casal de pretos acaba de sentar-se, numa das últimas mesas de mármore ao longo da parede de espelhos. A compostura da humildade, na contenção de gestos e palavras, deixa-se acrescentar pela presença de uma negrinha de seus três anos, laço na cabeça, toda arrumadinha no vestido pobre, que se instalou também à mesa: mal ousa balançar as perninhas curtas ou correr os olhos grandes de curiosidade ao redor. Três seres esquivos que compõem em torno à mesa a instituição tradicional da família, célula da sociedade. Vejo, porém, que se preparam para algo mais que matar a fome.
Passo a observá-los. O pai, depois de contar o dinheiro que discretamente retirou do bolso, aborda o garçom, inclinando-se para trás na cadeira, e aponta no balcão um pedaço de bolo sob a redoma. A mãe limita-se a ficar olhando imóvel, vagamente ansiosa, como se aguardasse a aprovação do garçom. Este ouve, concentrado, o pedido do homem e depois se afasta para atendê-lo. A mulher suspira, olhando para os lados, a reassegurar-se da naturalidade de sua presença ali. A meu lado o garçom encaminha a ordem do freguês.
O homem atrás do balcão apanha a porção do bolo com a mão, larga-o no pratinho - um bolo simples, amarelo-escuro, apenas uma pequena fatia triangular. A negrinha, contida na sua expectativa, olha a garrafa de Coca-Cola e o pratinho que o garçom deixou à sua frente. Por que não começa a comer? Vejo que os três, pai, mãe e filha, obedecem em torno à mesa um discreto ritual. A mãe remexe na bolsa de plástico preto e brilhante, retira qualquer coisa. O pai se mune de uma caixa de fósforos, e espera. A filha aguarda também, atenta como um animalzinho. Ninguém mais os observa além de mim.
São três velinhas brancas, minúsculas, que a mãe espeta caprichosamente na fatia do bolo. E enquanto ela serve a Coca-Cola, o pai risca o fósforo e acende as velas. Como a um gesto ensaiado, a menininha repousa o queixo no mármore e sopra com força, apagando as chamas. Imediatamente põe-se a bater palmas, muito compenetrada, cantando num balbucio, a que os pais se juntam, discretos: "Parabéns pra você, parabéns pra você..." Depois a mãe recolhe as velas, torna a guardá-las na bolsa. A negrinha agarra finalmente o bolo com as duas mãos sôfregas e põe-se a comê-lo. A mulher está olhando para ela com ternura - ajeita-lhe a fitinha no cabelo crespo, limpa o farelo de bolo que lhe cai ao colo. O pai corre os olhos pelo botequim, satisfeito, como a se convencer intimamente do sucesso da celebração. Dá comigo de súbito, a observá-lo, nossos olhos se encontram, ele se perturba, constrangido - vacila, ameaça abaixar a cabeça, mas acaba sustentando o olhar e enfim se abre num sorriso.
Assim eu quereria minha última crônica: que fosse pura como esse sorriso.
(Texto de Fernando Sabino)

07 janeiro 2013

Buraco Azul

Um grande círculo azul escuro no meio do mar turquesa do Caribe atrai mergulhadores e turistas do mundo todo para Belize, na América Central.
O Great Blue Hole (Grande Buraco Azul) é, na verdade, uma caverna que se formou há dezenas de milhares de anos, quando o nível do mar era muito mais baixo do que na atualidade.
À medida que o oceano subiu, ela ficou submersa, mas preservou as estalactites, hoje rodeadas por animais marinhos de várias espécies, como arraias, peixes-papagaios e peixes-borboletas.
Localizado no Atol de Recifes Lighthouse, a cerca de 50 milhas a leste da cidade de Belize, o buraco é um círculo quase perfeito, de cerca de 300 metros de diâmetro e 125 metros de profundidade. É visível inclusive do espaço – foi captado por um satélite da Nasa em março de 2009.
No início dos anos 1970, o famoso oceanógrafo Jacques Cousteau explorou seus túneis e estalactites. O Buraco Azul é parte da Reserva de Barreiras de Recifes de Belize, considerada Patrimônio da Humanidade pela Unesco.

05 janeiro 2013

As Profecias


0000 As Profecias
0000 (Raul Seixas/Paulo Coelho)
Tem dias que a gente se sente 
Um pouco, talvez, menos gente 
Um dia daqueles sem graça 
De chuva cair na vidraça 
Um dia qualquer sem pensar 
Sentindo o futuro no ar 
O ar, carregado sutil 
Um dia de maio ou abril 
Sem qualquer amigo do lado 
Sozinho em silêncio calado 
Com uma pergunta na alma 
Por que nessa tarde tão calma 
O tempo parece parado?
Está em qualquer profecia 
Dos sábios que viram o futuro 
Dos loucos que escrevem no muro 
Das telhas dum sonho remoto 
Estouro, explosão, maremoto 
A chama da guerra acesa 
A fome sentada na mesa 
O copo com álcool no bar 
O anjo surgindo do mal 
Os selos de fogo, o eclipse 
Os símbolos do apocalipse 
Os séculos de Nostradamus 
A fuga geral dos ciganos 
Está em qualquer profecia 
Que o mundo se acaba um dia
Um gosto azedo na boca 
A moça que sonha, a louca 
O homem que quer mas esquece 
O mundo do dá ou do desce 
Está em qualquer profecia 
Que o mundo se acaba um dia 
Sem fogo, sem sangue, sem áis 
O mundo dos nossos ancestrais 
Acaba sem guerras mortais 
Sem glórias de Marte ferido 
Sem o estrondo, mas com um gemido
Os selos de fogo, o eclipse 
Os símbolo do apocalipse 
A fuga geral dos ciganos 
Os séculos de Nostradamus
Está em qualquer profecia 
Que o mundo se acaba um dia
Um dia...
Sim, sim, sim...

03 janeiro 2013

Gol 1000

O milésimo gol está prestes a se tornar banalidade, mas antigamente era coisa muito séria, seríssima!
Ele marcou o milésimo gol na escola.
Em segredo.
Na pelada do recreio.
Não teve foto, nem festa, nem sorvete de chocolate.
Apenas a sensação do dever cumprido.
Futebol é bola na rede, segundo seu pai.
Embora a barra da escola não tenha rede.
Nem barra.
É apenas um espaço entre dois paralelepípedos no infinito infantil.
Coisa estranha.
Na noite do milésimo gol não dormiu direito.
Sonhou com a palmatória na escola.
Sonhou com o padre e diretor falando do inferno.
Acordou assustado.
Não dormiu mais.
As aulas de matemática e geografia pareceram intermináveis.
Ficava pensando no caderninho na bolsa.
999, 999, 999, 999.
A tampinha de refrigerante caiu no seu kichute direito.
O chute saiu certeiro.
Gooool.
Queria correr para os braços do pai.
Sentir o beijo da mãe.
Calou-se.
Escreveu no caderno.
1000, 1000, 1000, 1000.
Segredo particular, particularíssimo.
Ele e Deus na sacristia.
Caminhando pra casa na Conde da Boa Vista, soluçou.
Mas um homem não deve chorar, segundo seu pai.
Nem no dia do seu milésimo gol.
(Texto de Roberto Vieira)

01 janeiro 2013

Feliz 2013!

񁜞 Que 2013 seja o melhor ano de nossas vidas.
񁜞 Que haja muita inflação de talento e recessão de inveja.
񁜞 Que a droga seja extirpada da face da terra.
񁜞 Que nunca mais uma mãe enterre um filho.
񁜞 Que Papai do Céu assine um decreto proibindo criança de ficar doente.
񁜞 Que os abutres doentes virem pombas brancas.
񁜞 Que todo ferreiro tenha mesmo só espeto de pau.
񁜞 Que seja derretido todo metal que esteja empregado em revólver, canhão, couraças de mísseis, balas e blindados de guerra.
񁜞 Que não exista mais um só trabalhador brasileiro desempregado.
񁜞 Que os médicos firam de morte a Aids, o câncer e todo tipo de doença.
񁜞 Que toda família volte a ter o pai como chefe e presidente da casa e a mãe como a fortíssima primeira-ministra do lar.
񁜞 Que todo filho volte a temer e a respeitar os pais, sempre retornando para casa diariamente até às nove da noite.
񁜞 Que o Botafogo vença tudo que disputar em 2013.

28 dezembro 2012

23 dezembro 2012

Catedral

CATEDRAL  -   (ZÉLIA DUNCAN)
O DESERTO ONDE ATRAVESSEI / NINGUÉM ME OUVIU PASSAR / ESTRANHA E SÓ / NEM PUDE VER / QUE O CÉU É MAIOR / TENTEI DIZER, MAS VI VOCÊ / TÃO LONGE DE CHEGAR, MAS PERTO DE ALGUM LUGAR / É DESERTO ONDE EU TE ENCONTREI / VOCÊ ME VIU PASSAR / CORRENDO SÓ, NEM PUDE VER / QUE O TEMPO É MAIOR / OLHEI PRA MIM, ME VI ASSIM / TÃO PERTO DE CHEGAR ONDE VOCÊ NÃO ESTÁ / NO SILÊNCIO UMA CATEDRAL / UM TEMPLO EM MIM / ONDE POSSA SER IMORTAL / MAS VAI EXISTIR, EU SEI VAI TER QUE EXISTIR / VAI RESISTIR NOSSO LUGAR / SOLIDÃO QUE PODE EVITAR / TE ENCONTRO ENFIM / MEU CORAÇÃO, É SECULAR / SONHA E DESÁGUA DENTRO DE MIM / AMANHÃ DEVAGAR ME DIZ COMO VOLTAR / SE EU DISSER QUE FOI POR AMOR / NÃO VOU MENTIR PRA MIM /SE EU DISSER, DEIXA PRA DEPOIS / NÃO FOI SEMPRE ASSIM / TENTEI DIZER / MAS VI VOCÊ / TÃO LONGE DE CHEGAR, MAIS PERTO DE ALGUM LUGAR.

20 dezembro 2012

Ponto Final

Guerra nuclear, pandemia viral, mudança climática: a suposta profecia maia do fim do mundo não será cumprida, mas o Apocalipse já começou e agonia será lenta, alertam os cientistas. "A ideia de que o mundo acabará subitamente, por uma causa qualquer, é absurda", declarou David Morrison, cientista da Nasa e especialista da vida no espaço.
"A Terra existe há mais de quatro bilhões de anos e passarão muitos anos antes do Sol tornar nosso planeta inabitável", insistiu o cientista, que criticou as "ridículas" versões que preveem o fim do mundo neste 21 de dezembro de 2012, injustamente atribuído ao calendário maia.
Em quase cinco bilhões de anos, o Sol se transformará em "gigante vermelho", mas o calor crescente terá, muito antes, provocado a evaporação dos oceanos e o desaparecimento da atmosfera terrestre. O astro solar resfriará depois, até a extinção, mas isto não nos dirá respeito, explica.
"Até lá, não existe nenhuma ameaça astrônomica ou geológica conhecida que poderia destruir a Terra", afirma David Morrison. 
A ameaça poderia vir do céu, como demonstram algumas produções de Hollywood que descrevem gigantescos asteróides em choque com a Terra?
Uma catástrofe similar, que implica um astro de 10 a 15 km de diâmetro, caiu sobre a atual península mexicana de Yucatán, causando provavelmente a extinção dos dinossauros há 65 milhões de anos. Os astrônomos da Nasa afirmam que não é provável que aconteça uma catástrofe similar, em um futuro previsível.
"Estabelecemos que não há asteroides tão grandes perto de nosso planeta como o que terminou com os dinossauros", disse o cientista, acalmando os temores de alguns sobre um fim do mundo em breve. Além disso, se um asteroide provocou a extinção dos dinossauros e de muitas espécies, não erradicou toda a vida na Terra. A espécie humana teria a oportunidade de sobreviver, destaca.
Sobreviver a uma pandemia mundial de um vírus mutante, do tipo gripe aviária H5N1, poderia ser mais complicado, mas "não provocaria o fim da humanidade", explica Jean-Claude Manuguerra, especialista em virologia do Instituto Pasteur de Paris. "A diversidade de sistemas imunológicos é tão importante que há pelo menos 1% da população que resiste naturalmente a uma infecção", afirmou o especialista da revista francesa Sciences & Vie, que consagrou um número especial ao fim do mundo.
Apesar da tese de uma guerra nuclear ter perdido força desde o fim da Guerra Fria, não desapareceu completamente. O número de vítimas dependeria de sua magnitude, mas inclusive um conflito regional - como entre Paquistão e Índia - bastaria para causar um "inverno nuclear" com efeitos em todo o planeta, como uma queda das temperaturas que impossibilitaria a agricultura.
Mas os cientistas demonstram inquietação com a mudança climática e alertam que o aquecimento do planeta é o que mais se parece com o temido fim do mundo.
E desta vez não são simples temores e hipóteses. Secas, tempestades e outras catástrofes naturais se tornariam mais frequentes e intensas com o aumento das temperaturas mundiais, que poderiam registrar alta de +2°C, +4°C e até +5,4°C até 2100. Isto equivaleria a um suicídio coletivo da espécie humana, advertem os cientistas, que intensificam os pedidos para conter o devastador aquecimento do planeta.

18 dezembro 2012

17 dezembro 2012

Pilequinho

Dois elefantes foram salvos de hipotermia no rigoroso inverno siberiano ao beber vodca, de acordo com informações reveladas por autoridades da Rússia.
Os dois animais ficaram expostos ao frio congelante da Sibéria depois que o trailer em que eram transportados sofreu um acidente e pegou fogo, na região de Novosibirsk. Os elefantes pertecem a um circo polonês, que fazia espetáculos na região.
Os dois animais, de 45 e 48 anos, chegaram a ter as pontas da orelha congeladas. Na ocasião, a temperatura era de -40ºC e a solução foi aquecer os bichos com uma solução de água quente e vodca, segundo as declarações de um funcionário do governo russo, que ajudou no socorro aos animais.
"Eles começaram a urrar como se estivessem na selva", brincou o funcionário, em entrevista à agência de notícias russa Ria Novosti. "Quem sabe eles não estavam felizes". 
Os animais se recuperaram do choque térmico em uma garagem aquecida de uma escola local. Os animais foram transportados na carroceria de um caminhão, sob escolta policial.
Assim como nos humanos, o álcool faz os animais se sentirem mais aquecidos. Em declarações ao jornal Komsomolskaya Pravda, o diretor do zoológico de Novosibirsk, Rostislav Shilo, disse que os elefantes não sofreram nenhum dano, nem foram intoxicados pela ingestão de vodca. Shilo acrescentou que, sem a solução alcóolica, os animais poderiam ter morrido de hipotermia ou pneumonia.

14 dezembro 2012