Diálogo entre homem que bebe e mulher abstêmia:
Mulher: você bebe?
Homem: sim!
M: quanto por dia?
H: três doses de uísque.
M: quanto paga pela
dose de uísque?
H: cerca de R$10,00.
M: há quanto tempo
você bebe?
H: 20 anos.
M: uma dose de uísque
custa R$ 10,00 e você bebe 3 por dia = R$ 900,00 por mês = R$ 10.800,00 por
ano, certo?
H: correto.
M: se em um ano você
gasta R$ 10.800,00, sem contar a inflação, em 20 anos você gastou R$ 216.000,00,
certo?
H: certo.
M: você sabia que com
esse dinheiro aplicado, e corrigido com juros compostos durante 20 anos, você
poderia comprar uma Ferrari?
H: você bebe?
M: não!
H: Então, cadê a porra da sua Ferrari?!
22 outubro 2013
20 outubro 2013
Garrinchinha
Um novo candidato a craque, que tem nas
veias o sangue de Mané Garrincha, já desponta nos campos de terra batida de Pau
Grande, em Magé, na Baixada Fluminense. Bisneto do camisa 7 do Fogão, que
completaria nesta sexta-feira 80 anos se estivesse vivo, Gustavo Andrade Santos da Cunha, de 11 anos, não tem as pernas tortas como as do bisavô. Mas é
habilidoso e gosta de jogar no meio de campo ou no ataque.
Canhoto, o garoto treina em uma
escolinha do colégio onde cursa o 5º ano do ensino fundamental, em Magé.
O seu sonho é o de tentar a sorte no
clube que projetou seu bisavô para o mundo.
“Queria ter a chance de ir um dia
treinar no Botafogo e conhecer os jogadores. Gosto muito do Seedorf. Sou
Botafogo mesmo por causa do meu bisavô”, revelou Gustavo.
Gustavo nunca foi ao Maracanã, mas já
teve chance de ver o Botafogo no Engenhão, em 2010. Naquela oportunidade, o
resultado não foi bom para o alvinegro.
“Naquele dia, o nosso time perdeu.
Mesmo assim, continuei torcendo pelo Botafogo” revelou o garoto.
Gustavo sabe que as comparações com o
bisavô serão inevitáveis:
“Ser igual ao meu bisavô é muito
difícil”.
17 outubro 2013
Ela Não Presta
Marcelo era
um garoto comum. Sonhador, estudante, trabalhador e cheio de vida. Um dia
encontrou seu amigo Pedro, que estava ao lado de duas belas mulheres e os
apresentou.
- Marcelo, esta é a Adriana. Adriana, este é o
Marcelo.
E trocando
olhares, fazendo daquele minuto um julgamento definitivo de tudo que precisava
saber para se declarar apaixonado, Marcelo decidiu que queria passar a vida com
aquela moça.
Precipitado, quase idiota. Mas perfeitamente normal,
pois assim surgem 99% das mais belas paixões já contadas.
Marcelo
então passa a procurar Pedro para que, através dele, possa rever sua amada. E
consegue.
Pedro combina pizza, chopp, os aproxima. Marcelo se
apaixona de vez. Ela sempre linda, cheirosa, arrumada. Ele, bobo, só olha e diz
“amém”.
Até que um
dia, pronto para vê-la, a caminho, Pedro diz a Marcelo que Adriana tem um
passado não tão bom. Pedro releva, não se importa. Se diz moderno pra aceitar.
Na volta de mais um chopp, Pedro dá indiretas para
insinuar ao amigo que Adriana tem mau hálito. Ele, que ainda não a beijou, ouve
pensativo.
Na mesma
semana o amigo passa a tratá-lo um pouco diferente. Distante, quase num ar
superior. Pedro se pergunta se é “ciúmes”, mas não. Não tem porque se o próprio
Pedro tanto a desmerece.
E os dias passam, Pedro consegue apenas conhece-la,
mas é intocável. Distante, quase impossível pra ele.
E então, a
admiração aumenta. Cria-se um mito. E desde mito, uma doentia relação de paixão
e ódio que sustenta aquela relação platônica.
Adriana não o ignora. Nem dá trela. O cativa, joga o
cabelo, mas passa reto.
Pedro então
envia um e-mail para Marcelo e diz que na verdade não queria relatar, mas a
moça é de família ruim. E seu trabalho não é lá dos mais honestos.
Marcelo custa a crer. E não crê. Não porque não quer,
mas porque não pode. O que construiu em sua mente é forte demais para se
destruir em palavras, boatos, insinuações.
Pedro
insiste. Mostra fotos, comprova que a moça além de tudo é alcoólatra. Sim, bebe
na madrugada e cai na rua. E então, ele chora.
Mas se motiva a recuperá-la desta vida. E uma nova
obsessão o possui e aumenta ainda mais aquela paixão platônica.
Insistente,
quase cruel, Pedro faz um levantamento de sua vida e apresenta ao amigo. Lá
está sua infância, seus podres, defeitos, amizades ruins e até mesmo doenças
que já teve.
Marcelo luta, mas lê o “dossiê” do “amigo”. E ao
final, surpreendendo novamente, ignora tudo que de ruim acaba de ler e diz:
“Ela já passou por tudo isso! Merece ser feliz. Eu vou fazê-la feliz!”.
Pedro quase
desiste. Mas seu recalque em não ter tido Adriana o atormenta demais. E
inconscientemente, faz uma fama ruim da moça por toda cidade.
Marcelo se afasta. Adriana se prostitui porque não
encontrou ninguém que a amava de verdade. Enquanto Pedro, diante da moça
sentada na sarjeta segurando uma bolsinha e ofertando o corpo a míseros 100
reais, diz ao amigo: “Eu avisei”.
Marcelo
acredita. Tolo, agradece ao “amigo” e se afasta. Pedro se aproxima de Adriana,
oferece apenas 80 reais, e finalmente dorme com ela.
Pedro é jornalista esportivo. Marcelo, torcedor.
Adriana caiu pra Série B.
(Texto de Rica Perrone)
15 outubro 2013
Garoto Inteligente
A professora está
tendo dificuldades com um dos alunos...
- Pedro, qual é o problema?
- Eu sou muito inteligente pra estar no primeiro ano. Quero ir pro terceiro ano!
A professora recorre ao diretor e explica o caso. Pedro fica na ante-sala. O diretor diz que vai fazer um teste e se o menino passar, ele vai para o terceiro ano.
Pedro entra na sala, diretor e professora explicam que ele passará por um teste e ele aceita:
- Pedro, quanto é 3 x 3?
- Nove.
- Quanto é 6 x 6?
- Trinta e seis.
A bateria de perguntas continua e o menino não erra nenhuma. Ao final, o diretor diz a professora que vai transferir Pedro pra terceira série. A professora diz que antes também quer fazer algumas perguntas:
- Pedro, o que a vaca tem quatro, e eu só tenho duas?
- Pernas.
- O que é que há nas suas calças que não há nas minhas?
O diretor arregala os olhos, mas não tem tempo de interromper...
- Bolsos.
- O que é que entra na frente da mulher, que no homem só entra atrás.
O diretor está quase tendo um treco... Olha pros dois e prende a respiração...
- A letra M, fessora.
O diretor respira aliviado e diz à professora:
- Vou colocar esse menino no quarto ano! Eu mesmo teria errado as três últimas perguntas!
- Eu sou muito inteligente pra estar no primeiro ano. Quero ir pro terceiro ano!
A professora recorre ao diretor e explica o caso. Pedro fica na ante-sala. O diretor diz que vai fazer um teste e se o menino passar, ele vai para o terceiro ano.
Pedro entra na sala, diretor e professora explicam que ele passará por um teste e ele aceita:
- Pedro, quanto é 3 x 3?
- Nove.
- Quanto é 6 x 6?
- Trinta e seis.
A bateria de perguntas continua e o menino não erra nenhuma. Ao final, o diretor diz a professora que vai transferir Pedro pra terceira série. A professora diz que antes também quer fazer algumas perguntas:
- Pedro, o que a vaca tem quatro, e eu só tenho duas?
- Pernas.
- O que é que há nas suas calças que não há nas minhas?
O diretor arregala os olhos, mas não tem tempo de interromper...
- Bolsos.
- O que é que entra na frente da mulher, que no homem só entra atrás.
O diretor está quase tendo um treco... Olha pros dois e prende a respiração...
- A letra M, fessora.
O diretor respira aliviado e diz à professora:
- Vou colocar esse menino no quarto ano! Eu mesmo teria errado as três últimas perguntas!
13 outubro 2013
Cadela no Cio
Uma garotinha perguntou:
- Mamãe, posso
levar nossa cachorrinha para andar em volta do quarteirão?
A mãe respondeu:
- Não, porque ela está no cio.
- O que é isso? - Perguntou a menininha.
- Vá perguntar a seu pai, ele está na garagem.
A garotinha foi até à garagem e disse:
- Paizinho, posso levar a Lula Belle para uma volta no quarteirão? Eu pedi à mamãe, mas ela disse que a cachorrinha está no cio, então eu vim falar com você.
O pai disse:
- Traga a Lula Belle aqui.
Ele pegou uma estopa, embebeu-a em gasolina e esfregou nas costas da cachorrinha a fim de disfarçar o cheiro, e disse:
- Tudo bem, pode ir, mas mantenha Lula Belle na coleira e só dê uma volta em torno do quarteirão.
A garotinha saiu e voltou poucos minutos depois sem a cachorrinha na coleira.
Surpreso, papai perguntou:
- Onde está a Lula Belle?
A garotinha respondeu:
- Acabou a gasolina dela na metade do quarteirão, por isso tem um cachorro empurrando ela até nossa casa.
A mãe respondeu:
- Não, porque ela está no cio.
- O que é isso? - Perguntou a menininha.
- Vá perguntar a seu pai, ele está na garagem.
A garotinha foi até à garagem e disse:
- Paizinho, posso levar a Lula Belle para uma volta no quarteirão? Eu pedi à mamãe, mas ela disse que a cachorrinha está no cio, então eu vim falar com você.
O pai disse:
- Traga a Lula Belle aqui.
Ele pegou uma estopa, embebeu-a em gasolina e esfregou nas costas da cachorrinha a fim de disfarçar o cheiro, e disse:
- Tudo bem, pode ir, mas mantenha Lula Belle na coleira e só dê uma volta em torno do quarteirão.
A garotinha saiu e voltou poucos minutos depois sem a cachorrinha na coleira.
Surpreso, papai perguntou:
- Onde está a Lula Belle?
A garotinha respondeu:
- Acabou a gasolina dela na metade do quarteirão, por isso tem um cachorro empurrando ela até nossa casa.
10 outubro 2013
Futebol e Educação
Nasci e me criei no futebol.
Quando eu era
menino, qualquer coisa no chão ao meu redor que pudesse ser chutada eu chutava:
latas, tampinhas de garrafa, laranjas, pedaços de bola de borracha, e até
bolas.
As de capotão, mais caras, eu raramente chutava, porque
ninguém da minha turma as tinha. Para os joguinhos a gente usava bolas de
borracha ou de meia, que a gente fazia em casa.
Cresci achando
que o futebol era meu, o que quer dizer que eu e todos os meus amigos achávamos
que aquilo era uma coisa que nos pertencia.
E tínhamos razão, porque somos os donos de todas as coisas
da nossa cultura.
É por isso que
somos brasileiros, e é por isso que em outros lugares outras pessoas são
inglesas ou argelinas.
Somos o que somos porque vemos e jogamos futebol, porque
comemos certas comidas, porque praticamos certas religiões, ouvimos nossas
músicas, dançamos nossas danças e falamos nossa língua.
Foram os
carnavais e as peladas na rua que nos fizeram brasileiros.
Por isso o futebol é nosso, é forte, é poderoso, está em
nossas entranhas e mobiliza nossas paixões.
Quando me
envolvo no futebol, assim como quando me envolvo no samba ou na feijoada, me
emociono, me apaixono, fico à flor da pele, e fica fácil mexer comigo, me
alterar, me emocionar.
E aquele povo que só pensa em dinheiro, os tais agentes do
mercado, percebendo isso, resolveu se apoderar do futebol para fazer dele um
grande negócio, já que se apoderando do futebol pode mexer com minha paixão e
me convencer a comprar as coisas que eles têm para vender.
Chegam ao ponto
de me vender o próprio futebol que já é meu.
E depois vendem todas as quinquilharias de que eu nem
preciso, mas que acabam me convencendo que preciso.
E porque o
futebol é meu eu acho que devo defendê-lo dos vendilhões do templo.
Mas eu também aprendi que esses vendilhões não são bobos e
não vão entregar com facilidade sua galinha dos ovos de ouro.
Eu e meus amigos
donos do futebol teremos que trabalhar duro.
Sabemos o caminho para defender nosso futebol e nossa
cultura: é a educação.
A educação é o caminho
de emancipação de um povo.
É a educação bem feita que produz a consciência, aquele
instrumento de libertação que fica adormecido dentro da maioria de nós e só
pode ser despertado pela educação boa, a educação que incomoda, a educação que
gera os conflitos que fazem essa consciência despertar de seu sono letárgico na
maioria das pessoas.
(Texto de João Batista Freire, professor da
Unicamp)
08 outubro 2013
Atração Fatal
COISAS QUE SE ATRAEM SEM ESFORÇO NENHUM:
Pobre e funk;
Pobre e funk;
Olhos e
bunda;
Mulher e vitrines;
Homem e cerveja;
Mulher e vitrines;
Homem e cerveja;
Bebedeira e
mulher feia;
Segundas-feiras
e sono;
Chifre e dupla sertaneja;
Carro de bêbado e poste;
Chifre e dupla sertaneja;
Carro de bêbado e poste;
Político e
dinheiro público;
Tampa de caneta e orelha;
Moeda e carteira de pobre;
Tampa de caneta e orelha;
Moeda e carteira de pobre;
Tornozelo e
pedal de bicicleta;
Sextas-feiras
e cervejaaaaaa...
Leite fervendo e fogão limpinho;
Dedinho do pé e ponta de móveis;
Camisa branca e molho de tomate;
Tampa de creme dental e ralo de pia;
Café preto e toalha branca na mesa;
Dezembro na TV Globo e Roberto Carlos;
Chuva e carro trancado com a chave dentro;
Dor de barriga e final de rolo de papel higiênico.
Leite fervendo e fogão limpinho;
Dedinho do pé e ponta de móveis;
Camisa branca e molho de tomate;
Tampa de creme dental e ralo de pia;
Café preto e toalha branca na mesa;
Dezembro na TV Globo e Roberto Carlos;
Chuva e carro trancado com a chave dentro;
Dor de barriga e final de rolo de papel higiênico.
06 outubro 2013
Mulher Bola
Se a mulher fosse uma bola...
Aos 20 anos, seria
uma bola de futebol e teria 22 homens atrás dela;
Aos 30 anos, seria uma bola de basquete e teria 10 homens atrás
dela;
Aos 40 anos, seria
uma bola de golf e teria 1 homem atrás dela;
Aos 50 anos, seria uma bola de ping-pong e teria 2 homens a
empurrá-la de um para o outro;
Aos 60 anos, seria a
bola preta de sinuca e teria todos os homens a evitar tocar nela, antes de
tratarem de todas as outras.
1303 outubro 2013
O Grande Golpe
O mesmo assaltante que deu o golpe no Antonio’s não se emendou e tentou
dar outro. Desta vez no Maracanã. Procurou saber quem era o tesoureiro e ficou
esperando o homem da mala. Acabou o jogo e o homem da mala saiu pelo portão 16,
sozinho e fumando um cigarro. Mole, mole: “Não se mexa, isso é um assalto”.
O tesoureiro olhou triste e
respondeu: “Então o senhor está me devendo 696 cruzeiros, que é o que preciso
pagar de despesa hoje”. O assaltante endureceu e mandou brasa: “Nada de papo
furado. Eu quero o positivo”.
O tesoureiro meteu a mão no bolso, puxou um papel grande e foi dizendo ao
assaltante: “Tem um lápis aí?”. O bandido respondeu que não, então o tesoureiro
pediu ao guarda de trânsito que ia passando. Deu o lápis para o bandido e
ditou: “Renda do jogo: 62.568,25. Escreveu?” – “Sim”.
“Então tome nota do resto. Mas vamos
aqui para debaixo da luz que é melhor”. E foram os três mais um garoto daqueles
que pedem dinheiro para voltar para casa. Enxotaram o garoto e continuaram o
serviço: “Despesa: quadro móvel – 5.600; ingressos 341,00; luz 600 pratas”. Aí
o bandido gritou: “Qual luz? Aquilo paga?” – “Paga sim e mete lá: bolas 190,00;
taxa de 10%, 5.573,80; Escoteiros, 557,30″. O bandido pulou de novo: “Que
escoteiros? Isto é golpe!”.
O tesoureiro explicou que era uma lei e até se lembrou do número e prosseguiu:
Fugap, 1.114.66. Novo berro: “Esta não! Os clubes não descontam para INPS? Que
negócio é este? Eu também desconto”. O tesoureiro explicou a outra lei e foi em
frente: “CBD, 3.128,41; Federação Carioca, 3.128,41″. O bandido era inflexível
e chiou: “Este número já entrou aqui agora pouco. Para cima de mim, não!”. O
guarda que estava prestando atenção explicou: “Estes são outros 3.128,41″. O
tesoureiro ajeitou os óculos e prosseguiu: “Juiz, bandeirinhas e intérprete,
1.800,00″.
O assaltante já ia puxando a arma,
mas o tesoureiro explicou: “Intérprete é rubrica, compreendeste? Só se paga em
jogo internacional e contra times de São Paulo”. O bandido fez sinal de
entendimento e o tesoureiro deu a última despesa: cota do Cruzeiro 18.089,00 e
cota do América, 12.904,00. O bandido ficou meio triste, mas disse: “Vai lá,
manda pra cá isso mesmo”. O tesoureiro não se alterou e puxou outro papel do
bolso com uma porção de assinaturas. Resumindo, lá estava: vinte e um bichos a
600,00 cada, são 12.000,08. Despesas de transporte, 1.000,00. “Eu dei um vale
de 698,00 para o homem que ficou de passar lá amanhã. Tens algum aí? Lá no
clube não tem nada”.
Como não havia mais trânsito o guarda foi embora, o tesoureiro também e o
bandido deu no pé.
(Texto do jornalista João Saldanha 1917-1990)
01 outubro 2013
Futebol no Além
Uma gigantesca dúvida assola a humanidade: existirá futebol depois da
morte? Tá bom, uma parte da humanidade. A minoria, ok. Como? Vocês nunca nem
pensaram nisso?
Então tá. Uma gigantesca dúvida me
assola (eu sou parte da humanidade, e tenho direito a minhas dúvidas
gigantescas): haverá futebol no céu? No purgatório? No inferno?
Eu suponho que sim. Afinal, o que haveria de melhor para se fazer para
passar a eternidade?
Sabemos – tá bom, só eu sei – que há
coisas na outra vida para ocupar o tempo e justificar os três estágios.
Alguns exemplos.
No céu, tocar lira, soprar trombetas
e ver o blue-ray da história da criação. No purgatório, assistir a stock car,
ler códigos de leis e processos e debater filmes de arte. E no inferno – Deus
me livre de eu ir lá! -, participar de planejamento estratégico situacional.
Mas só isso não justifica a aventura humana. Nascer, crescer, lutar,
trabalhar, amar, sofrer, reproduzir-se e morrer, gerações e gerações,
edificando a obra de Deus na Terra somente para isso?
Nananina.
Alguma recompensa há de haver. Sexo está descartado. No céu, porque é
pecado. Nos outros dois, porque é prazer.
Então, só pode ser futebol. Assistir,
jogar, discutir, inventar, lembrar, sofrer – enfim, o futebol tal e qual.
No céu, com certeza, devem ficar os grandes craques, as peladas, os teipes
antigos, as mentiras sobre o que já fizemos e vimos outros fazerem, as goleadas
e um telão passando “Pelé Eterno” sem parar.
No purgatório, as bolas na trave, os
jogos roubados, os pay-per-view, os cabeças de área, os chiados no rádio, as
mesas-redondas e um telão com palestras intermináveis de técnicos acerca de
táticas de jogo.
Já no inferno estarão os juízes, as torcidas organizadas, os cartolas, os
zero-a-zeros, as vuvuzelas e um telão passando infinitamente Itália 3 x 2
Brasil da Copa da Espanha.
Mas, claro, pode ser que não haja
nada disso. Nem futebol, nem anjos, nem filmes iranianos (ufa!) e nem (viva!)
janela de oportunidade, missão, visão e power point.
Ou seja. Nada.
Em outras palavras, pode ser que não
haja vida após a morte, que é uma pergunta que assola algumas pessoas. Hein?
Muitas? Tá bom, muitas pessoas. Mais que muitas? Todas? A humanidade inteira?
Ah, não. Aí é exagero.
Eu, pelo menos (ou seja, restaria somente a humanidade menos um), não
estou nem aí pra isso.
O que importa pra mim é saber se vai
ter futebol.
Vocês que percam seu tempo com essas bobagens.
(Texto de Luiz Guilherme Piva)
24 setembro 2013
O Outono de Gabiru
Todo mundo o conhece como Gabiru. Ou Adriano Gabiru.
Pois bem…
Quando ele nasceu, um anjo torto –
que pode ter sido Garrincha ou Nelson Rodrigues – soprou-lhe ao ouvido: “Vai,
Carlos, vai ser gauche na vida”.
Carlos Adriano de Souza Vieira,
nasceu em Maceió, nas Alagoas, a terra dos marechais.
Pobre, sem estudo, sonhou com o
futebol. Começou pelo CSA, o Centro Sportivo Alagoano, e conquistou um
estadual.
Depois foi pro Furacão, onde ganhou
quatro estaduais e o Brasileirão de 2001, o maior da história do rubro-negro
paranaense.
Foi um dos destaques do título
nacional do clube paranaense. Chegou à seleção olímpica e à principal.
No campeão brasileiro de 2001,
Adriano era nome certo na escalação, junto com Kléber, Kleberson e Alex
Mineiro. Depois, apelidaram-no Gabiru.
Que apelido! Gabiru significa rato,
rato pequeno – e preto. Também é sinônimo de coisa miúda, fraca, sem vida.
Mas ele – com sua humildade – não se
importou, não viu maldade; antes, ao contrário, enxergou carinho dos colegas no
apelido.
E lá foi ele – ser ‘gauche’ na vida –
como talvez quisessem Garrincha, o anjo das pernas tortas, e Nelson, o anjo
pornográfico.
O destro gauche, um Carlos que era
Adriano, que virou Gabiru.
Depois do título nacional, depois da
seleção e depois do apelido, ele nunca mais jogou como antes, nunca mais foi o
mesmo de 2001.
O gauche “mineirou” – indo para o
Cruzeiro de Belo Horizonte. Depois “gauchou”, mudando para o Inter de Porto
Alegre.
A esta altura do campeonato já rodara
por Oropas, França e Bahia, como poetava outro Carlos, o Drummond.
Naquele 2006, lá nos Pampas, já
estava para ser dispensado – por deficiência técnica, diga-se. A torcida
colorada não o queria nem no banco de reservas.
Então veio o Mundial de Clubes da
Fifa. O Inter chegara à decisão contra o poderoso e favoritíssimo Barcelona, em
Yokohama, no Japão.
O zero-a-zero já se encaminhava para
os pênaltis, quando o anjo Nelson soprou no ouvido do técnico Abel:
- Põe o Gabiru.
O renegado entrou – e justo no lugar
de Fernandão, que era o craque, aquele que poderia ser o herói de um sonho
quase impossível.
Com a substituição, Abel virou
“burro”, “imbecil” e “idiota” para os torcedores colorados, os que estavam no
Japão e os diante da televisão.
Recorrendo a Gabiru, o Inter venceria
o poderosíssimo Barcelona de Puyol, Xavi, Iniesta e Ronaldinho?
Quis o destino, ou melhor, quis o
Sobrenatural de Almeida que sim – ele baixou em campo no corpo de Gabiru.
No Inter de Falcão, e Figueroa, e
Carlitos, e Bodinho, e Dunga, e Dadá, e Lula…
No Inter “campeão de tudo”, o gol
mais glorioso, o gol mais importante de todos os tempos foi feito por ele, o
renegado Gabiru.
Naquele Natal de 2006, ele foi o
Papai Noel dos colorados. Meio Rio Grande do Sul ajoelhava-se aos seus pés para
lhe pedir perdão.
- Perdão, Gabiru! – cantava toda a
torcida do Inter, a plenos pulmões.
O que a alegria da vitória – a maior
vitória – não é capaz de fazer, não é? O feio fica lindo, o ruim fica ótimo, um
rato vira rei. Na maior das vitórias é assim.
Mas a alegria da vitória, mesmo a
maior das vitórias, dura alguns dias. Depois, o que fica é um pôster pendurado
na parede de quarto.
Dias depois, novo campeonato, novas
histórias, novos heróis – os possíveis e os impossíveis. E novos vilões também.
Quatro meses depois, quando ainda era
viva a imagem do título mundial, o Inter dispensava Gabiru.
A empresa, assim, dispensava o
empregado que deu o maior lucro de sua história, o topo do futebol mundial.
Triste ironia desse mundo cruel que é
o futebol.
De novo nômade, rodou pela bola do
mundo: Figueirense, Goiás, Guarani, Mixto (MT), Corinthians do Paraná, CSA de
novo, Guarani de Bagé…
Até que, neste domingo, início de
primavera, lemos a notícia no UOL: “Herói do título mundial do Inter joga no
futebol amador”.
A notícia informava que, desde junho,
aquele que um dia foi o Rei de Yokohama está jogando no Combate Barreirinha, um
time amador do subúrbio de Curitiba, no Paraná.
“Recebi essa proposta, acabei
aceitando, pra não ficar parado”, disse ele, com a humildade de sempre.
É triste, nesse domingo de primavera,
ler a notícia do outono de Gabiru.
Naquele Natal de 2006, Gabiru foi o
Papai Noel dos colorados. Meio Rio Grande do Sul, ajoelhado aos seus pés
santificados, agora lhe pedia perdão.
O que a alegria da vitória – a maior
vitória – não faz? O feio fica lindo, o ruim fica ótimo, um rato vira rei.
Mas a alegria da vitória dura pouco.
Fica lá na foto, no pôster pendurado na parede de quarto.
No mês seguinte, outro campeonato,
outra história, outros heróis.
(Texto
do jornalista baiano Marcelo Torres)
22 setembro 2013
Cartão Postal
Xxxx Cartão Postal
Xxxx (Olodum)
Pelourinho não é mais é
Pelourinho não é mais não
Pelourinho não é mais sim
Pelourinho não é mais aquele
Olha a cara dele
Você não fica a toa
Tem muita gente boa
Aqui tudo mudou
São quinze anos que brilhou
Olodum Filhos do Sol
Reluz e seduz o meu amor
Negros conscientizados
Cantam e tocam no Pelô
Pelourinho primeiro mundo
Cartão postal de Salvador
Ê, passa lá
Passa lá
Passa lá que eu vou
Ê, passa lá
Passa lá
Passa lá no Pelô
13Pelourinho não é mais não
Pelourinho não é mais sim
Pelourinho não é mais aquele
Olha a cara dele
Você não fica a toa
Tem muita gente boa
Aqui tudo mudou
São quinze anos que brilhou
Olodum Filhos do Sol
Reluz e seduz o meu amor
Negros conscientizados
Cantam e tocam no Pelô
Pelourinho primeiro mundo
Cartão postal de Salvador
Ê, passa lá
Passa lá
Passa lá que eu vou
Ê, passa lá
Passa lá
Passa lá no Pelô
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