20 abril 2015
17 abril 2015
15 abril 2015
Cartolicismo
O sujeito não jogava nadinha de nada. Zero à esquerda
menos zero. Não era nem o dono da bola – dono que era perronha, mas sonhava-se
craque. Pra ser sincero o distinto nem gostava de futebol. Gostava mesmo era de
dinheiro.
Onze camisas e
uma bola. Campinho de barro vermelho. Não tinha lugar pra ele nem pro dinheiro.
Futebol era apenas diversão. Futebol pagão sem lenço nem documento.
Mas o país cartorial exigia que tudo tivesse licença,
atestado, alvará, segunda via e lá se foram os meninos vestirem o uniforme dos
colégios religiosos, das agremiações quatrocentonas, dos clubes de bela e nem
tão bela estampa.
O sujeito não
gostava de bola, mas gostava de estar nas manchetes e fofocas dessa vida
assumiu o futebol. Polainas, gravatas, cartolas e bigodinho, o sujeito
transformou o que era simples em atividade congressual. O fato simples de botar
uma bola entre duas pedras ou duas traves, viu-se subitamente engessado por
dezenas de regras.
Uma dia surgia a federação, noutro a confederação, ali um
tribunal de justiça, acolá um efeito suspensivo.
A religião que
não tinha deus virou Monte Olimpo. Os jogadores eram incensados pelas
multidões; os dirigentes manipulando os cordões do circo de marionetes. Durante
muito tempo, quase um século, a paixão infantil daquele jogo de moleques
suportou a tudo e todos como somente a paixão consegue suportar. Palcos
lotados, gritos histéricos, barbaridades nas arbitragens e nas regras do
esporte toleradas com o mito de que o belo no futebol era o erro. Grana preta
rolando nas bolsas de apostas. Fiéis cegos gritando em êxtase diante dos
pecados capitais: Amém!
O futebol pagão virou Cartolicismo.
Até que as
crianças foram descobrindo que ninguém ressuscitou após o terceiro pênalti…
(Texto de Roberto Vieira)
13 abril 2015
Impasse
Os
donos de uma casa que permanece no
meio de uma avenida construída em uma área residencial na cidade de Nanning, na
região autônoma de Guangxi Zhuang, na China, se negam a demolir a residência há
mais de uma década.
Como o dono da residência se recusou a fazer um
acordo com as autoridades para desapropriar o imóvel, as obras começaram assim
mesmo. A lei chinesa impede a demolição de uma propriedade sem que haja um
acordo.
Normalmente, os moradores se recusam a
ceder por considerarem a compensação financeira inadequada. A casa fazia parte
de uma aldeia que foi transferida no final da década de 1990. Sem acordo, a
casa foi deixada no meio da estrada.
Um
porta-voz do departamento de desenvolvimento urbano de Nanning disse que a
exigência dos proprietários não se encaixa na política de remuneração e que as
partes ainda estão negociando.
Por conta do impasse, os moradores são
obrigados a desviar seus carros porque a casa obstrui passagem. "Nós não
sabemos por que a casa não pode ser demolida", disse o morador identificado
como Huang ao jornal Nanguo Morning News.
11 abril 2015
Invente Sempre
“Invente sempre,
porque as grandes invenções foram criadas em momentos de guerra. Foi o frio que
inventou o fogo, a distância que inventou a roda. É o problema que cria a
grande solução”.
(Nizan Guanaes, publicitário)
09 abril 2015
Fogão Campeão
00 Taça Guanabara 2015:
01 Botafogo 1x0 Boavista
02 Botafogo 2x2 Volta
Redonda
03 Botafogo 4x0 Bonsucesso
04 Botafogo 3x0 Bangu
05 Botafogo 3x0 Friburguense
06 Botafogo 2x1 Nova Iguaçu
07 Botafogo 1x0 Flamengo
08 Botafogo 1x3 Fluminense
09 Botafogo 3x0 Tigres
10 Botafogo 3x0 Resende
11 Botafogo 1x0 Cabofriense
12 Botafogo 1x1 Barra
Mansa
13 Botafogo 1x1 Vasco
14 Botafogo 4x1 Madureira
15 Botafogo 1x0 Macaé
07 abril 2015
Idiota Feliz
Seja ridículo, mas
seja feliz e não seja frustrado.
“Pague mico”, saia gritando e falando o que sente, demonstre
amor.
Você vai descobrir
mais cedo ou mais tarde que o tempo pra ser feliz é curto, e cada instante que
vai embora não volta mais.
Não se importe com a opinião dos outros.
Antes ser um idiota
para as pessoas do que infeliz pra si mesmo.
(Arnaldo Jabor)
05 abril 2015
Monotonia
Monotonia
(Amado Batista)
Onde está aquele amor que nasceu em
nós?
O que aconteceu com ele?
Morreu de repente
Nossos beijos já não tem o mesmo sabor
E o nosso amor acontece
Como um caso qualquer, tão de repente
Não sentimos mais prazer e fingimos sentir
Quando o coração não quer
Não adianta...
Nossos pensamentos voam, buscam outras emoções
O tempo passa e nós dois
Mergulhados nas mentiras, ilhados de solidão
É o fim...
Desta nossa fantasia
Quero ter um novo dia
Sentir no peito o verdadeiro amor
Se em nós tudo é monotonia
Vamos tentar nos achar
O que aconteceu com ele?
Morreu de repente
Nossos beijos já não tem o mesmo sabor
E o nosso amor acontece
Como um caso qualquer, tão de repente
Não sentimos mais prazer e fingimos sentir
Quando o coração não quer
Não adianta...
Nossos pensamentos voam, buscam outras emoções
O tempo passa e nós dois
Mergulhados nas mentiras, ilhados de solidão
É o fim...
Desta nossa fantasia
Quero ter um novo dia
Sentir no peito o verdadeiro amor
Se em nós tudo é monotonia
Vamos tentar nos achar
Em outros
corações
03 abril 2015
Botafogomania
Há um número muito grande de Botafogos
por todo o Brasil.
Além do original de
General Severiano, há outros dois Botafogos relativamente famosos: o Botafogo
de Ribeirão Preto-SP, fundado em 1918, e o Botafogo de João Pessoa-PB, fundado
em 1931.
A fama do Botafogo,
entretanto, foi tão longe que o clube deu nome a agremiações de vários países
distantes do Brasil, como o Botafogo de Cabo Verde, fundado em 1973 e
tetracampeão nacional, o Botafogo de Montego Bay, da Jamaica, e o Botafogo de
Mladá Boleslav, da longínqua República Tcheca. Em
Portugal, há o Botafogo Futebol Clube de Cordinhã, no distrito de Coimbra.
Ainda em terras portuguesas, podemos encontrar o Botafogo de Caneças, fundado
em 1962, e o Botafogo de Setúbal. Em Angola, há o Botafogo de Luanda. Na
América do Sul, podemos encontrar o Botafogo de Linden, campeão da Copa da
Guiana em 1993. Na Argentina, há mais quatro: o de Rosário, o de Rauch, o de
Granadero, e o de Misiones. No Chile, mais dois Botafogos: o de Coquimbo e o de
Parte Alta.
O Botafogo teve algumas parcerias com alguns xarás ao longo da história.
Uma delas foi até mesmo com o xará da Paraíba. O acordo foi feito em 2009.
Outra parceria famosa foi firmada com a Associação Botafogo Futebol Clube, o
antigo Esportivo Guará, de Brasília. Além do mesmo nome, a agremiação chegou a
ter o mesmo escudo, cores e uniforme do Glorioso. A sintonia foi tão grande que
ídolos como Túlio Maravilha e Sérgio Manoel jogaram lá.
O Macaé, adversário do Fogão no Campeonato Carioca, foi fundado como Botafogo Futebol Clube, em 1990. Outra curiosidade é que as duas equipes vão se enfrentar também na Segunda Divisão do Campeonato Brasileiro de 2015. Também em Macaé está a Associação Esportiva Unidos da Selefogo. O nome é uma homenagem ao Alvinegro.
Ainda há dezenas de outros Botafogos menos cotados espalhados pelo Brasil. No Amapá, encontramos o Botafogo de Macapá e o Botafogo de Santana. No Pará, há o Botafogo de Belém, e no Piauí, o Botafogo de Teresina. No Maranhão, encontramos dois: o Botafogo do Anil, e o Botafogo de Imperatriz.
O Macaé, adversário do Fogão no Campeonato Carioca, foi fundado como Botafogo Futebol Clube, em 1990. Outra curiosidade é que as duas equipes vão se enfrentar também na Segunda Divisão do Campeonato Brasileiro de 2015. Também em Macaé está a Associação Esportiva Unidos da Selefogo. O nome é uma homenagem ao Alvinegro.
Ainda há dezenas de outros Botafogos menos cotados espalhados pelo Brasil. No Amapá, encontramos o Botafogo de Macapá e o Botafogo de Santana. No Pará, há o Botafogo de Belém, e no Piauí, o Botafogo de Teresina. No Maranhão, encontramos dois: o Botafogo do Anil, e o Botafogo de Imperatriz.
Em Minas Gerais, temos o Botafogo de Sabará,
Botafogo de Baependi, e, em São João Nepomuceno, cidade-natal do lendário
Heleno de Freitas, temos o Botafogo Futebol Clube, campeão da Liga do Rio Novo,
em 1949.
Na Bahia, há o
Botafogo de Santo Amaro da Purificação, glorioso campeão baiano da segunda
divisão em 1981. Ainda na Bahia, há o Botafogo de Salvador, heptacampeão baiano
na primeira metade do Século XX.
Em terras gaúchas, encontramos os Botafogos
de Viamão e Santo Cristo. Ainda no Rio Grande do Sul, foi fundado em 1953 o
Botafogo de Santa Lúcia do Piaí.
Em Santa Catarina,
encontramos o Botafogo de Xaxim, cujo resultado mais expressivo é o
vice-campeonato da segunda divisão catarinense em 1998. Também em SC há o
Botafogo Atlético, de Florianópolis.
No Paraná, há o
Botafogo de Curitiba, fundado em 1925. No Mato Grosso do Sul, achamos o
Botafogo de Aquidauana.
Há outro Botafogo no estado do Rio de
Janeiro: é o Botafogo Casimirense, de Casimiro de Abreu. No Espírito Santo, há
o rubro Botafogo Veneciano, da cidade de Nova Venécia, e também o alvinegro Botafogo
Jaguaré.
Voltemos ao estado de
São Paulo. Lá, não há apenas o Botafogo de Ribeirão Preto. Na capital, há o Botafogo
Jaçanã Futebol e Samba, e o Botafogo de Guaianases, fundado em 1955. Também há
Botafogos nas pequenas cidades de Barra Bonita e Monte Alto. Existe também o
Botafogo de São José do Rio Preto, fundado em 1962. Campinas também possui seu
Botafogo. Em Santos, encontramos o Esporte Clube Botafogo.
Além do nome Botafogo ter ficado famoso
em vários cantos do mundo, o escudo do Glorioso também é muito conhecido e há
vários clubes que o adotaram.
01 abril 2015
Diplomacia Infantil
Tarefa
da escola.
E lá estava eu fazendo a tarefa com o filho.
Tia
Débora deixando o pai e o filho de calças curtas.
Isso é coisa que se faça, Tia Débora?
DESENHE ABAIXO A BANDEIRA DO SEU TIME.
Eu sou alvirrubro.
A
esposa?
Tricolor.
O
filho olha pra questão.
Cinco anos de idade.
Olha
pra mim.
Olha pro espelho defronte da mesa da sala.
O
vento da chuva recifense entra pela varanda.
E eu decido perguntar ao filho qual bandeira
ele vai desenhar.
Qual
o time dele?
Ele nem titubeia:
“Argentina,
papai!”
E com seus cinco anos desenha duas faixas azuis
e o sol amarelo.
Um
perfeito diplomata em sua sabedoria infantil.
Detalhe.
Acho
que Tia Débora não vai entender nadinha.
(Texto de Roberto Vieira)
23 março 2015
Um Jogaço
- Em
sanatório tem, em orfanato tem, nas cadeias – até em hospício, quando existia!
O diretor olhou pros internos. Magros, fracos,
pobres, debilitados de muitas formas físicas e psíquicas, ilhados pela idade
nas suas faltas e excessos de lembranças. A morte, voraz, lhes debulhava e moía
o que sobrava. Balançou a cabeça pros lados e respondeu:
-
Aqui é um asilo! Olhe para eles!
Uns mastigando nada, outros ouvindo longe, dois
olhando pra dentro. Sentados ou movendo-se sem sair do lugar. Radinho, bonés,
lenços, meias, gengivas, tosses, cuspidas. Nos seus contornos, a massa
invisível da atmosfera e do tempo: o apodrecimento.
-
Vai dar certo. Vamos tentar!
O diretor olhou de novo. Duvidava que
estivessem ali. Gesticulou um resmungo, traduzido como aceitação.
- O
senhor vai ver! Vai dar certo!
Tinha alguns de pijama e tênis rasgado. Um com
andador. Bengalas, algumas. Uns conseguiram calção ou ceroula. Muitos de
sandália ou chinelo. O que usava soro direto ficou no gol – sentado num
tamborete. Deu uns seis para um lado e uns oito pro outro, equilibrando número
e condição física.
Pátio
pequeno. Bola vazia pra não pular nem correr muito. Freiras, serventes,
cozinheiras, faxineiros e os que não jogaram ficaram nas escadas e cadeiras em
volta.
O enfermeiro dono da ideia no meio do jogo,
apitando e ajudando quando precisasse: pra evitar quedas, dominar uma bola mais
difícil, incentivar. Pegar, se caíssem, dentaduras e bengalas. Fazer – e
conseguiu – com que cada um tocasse ao menos uma vez na bola.
Tudo foi muito lento, andado, parado. Nem gol
saiu. Poucos chutes. De destaque, só um passe “de calcanhar”, mas sem querer,
com o andador – para aplausos de todos.
Não
repetiram mais a experiência. Por temor de acidentes e porque, avaliaram, na
prática, não houve jogo.
Isso para quem assistiu.
Porque
de noite, depois da sopa, não teve radinho nem tevê. Os que jogaram e os que
não jogaram ficaram na sala, em roda, falando, ouvindo, imaginando,
transbordando com gestos, olhos e palavras o que foi o jogo de verdade.
Mulheres, filhos, inimigos, patrões, parentes,
parceiros, retratos de avós, orfanatos, trabalhos, estradas. Polícia-e-ladrão
na escola. Tiro de Guerra. Pasta de pedidos. Caminhões. Cidades e roças. Um
terno. Bolas de gude. Frutas na relva. Cerveja gelada. Cheiro de couro. Tapa na
cara. Galinhada. Serrote nos troncos. Zona. Trilhos de trem. Cigarros sem
filtro. Salame. Rodeios. Pimenta. Cana aberta nos dentes. Faca na cinta.
Carimbos. Balcões. Botas. Tijolo, cimento, areia. Uma índia escura na fazenda.
Vidros da igreja. Sacos de farinha. Cavalo em pelo. Sim, senhor. Não, senhor. A
senhora quem sabe. Banda com tuba e pratos. Manivela. Cruz no morro. Brigas na
rua. Quermesse. Relógio, bicicleta, injeção, pedrada, esmeril, samambaias,
cachoeira, macumba, beterraba, vasilhames no tanque, chave de fenda, luvas,
cusparadas. E farofa com bacon. Bocha. Anzol com barulhinho. Azulejo de flor.
Rapé. Revista de sacanagem. Manteiga, ônibus, feno, oficina, chafariz, as
unhas, é pra já, às ordens, cicatriz, cobra de noite, tambor, vassourão,
rodoviária, caderno de caligrafia, a mãe que levou um doce, loterias, porrada
na arquibancada, o pai que deu um presente. Seu delegado, seu guarda, seu
doutor, os muques, o peito, a potência. E os filhos, todos, centenas, correndo,
gritando, com todas as idades ao mesmo tempo, entrelaçados ali entre eles,
chutando, fazendo gols e vindo para os abraços, empoleirando-se nas suas
costas, erguendo-os nos ombros, jogando-os para o alto.
Tudo
isso é que teve no jogo que eles contavam, debatiam, analisavam aos risos, às
falas, às mímicas, às palmas.
Os que assistiram é que não viram.
Não
sentiram os cheiros.
Não ouviram os barulhos.
Não
perceberam nada.
Não sabem o que perderam.
(Texto de Luiz Guilherme Piva, autor do livro
“Eram Todos Camisa Dez”)
21 março 2015
Assinar:
Postagens (Atom)



























