21 maio 2015

Declaração Codificada

Declaração de Amor codificada:
Se eu te der um estádio do Guarani, você seria a minha “arenado Bangu?
Eu faria uma prece ao estádio do Vasco para abençoar nosso namoro, nunca viveríamos no estádio do Náutico, lutaríamos pela nossa “arenado América Mineiro e poderíamos até morar no estádio do São Paulo ou, se preferir, comprar uma casa no estádio do Internacional. Sabe o que nos separaria? O estádio do Flamengo.
Tradução:
Se eu te der um Brinco de Ouro, você seria a minha Moça Bonita?
Eu faria uma prece a São Januário para abençoar nosso namoro, nunca viveríamos Aflitos, lutaríamos pela nossa Independência e poderíamos até morar no Morumbi ou, se preferir, comprar uma casa à Beira Rio. Sabe o que nos separaria? Nada, porcaria nenhuma, coisa alguma, patavinas...

19 maio 2015

A Mãe e A Bola

Ele devia ter jogado futebol. Mas não. Nasceu com a maldade e só viveu para ela. Moleque, punha passarinho vivo na bacia de água quente; rapaz, roubava dos vizinhos; adulto, brigava, xingava, sumia.
No mesmo beco, os meninos jogando bola e ele sozinho, não falava. Com a família, grande, pobre, a mãe velha e quase surda, só aos gritos.
E assim foi.
Mais do que adulto, roubos maiores. Prisões. Fugas. Tiros no peito, na barriga, no pescoço. Surras de polícia e de bandido.
A magreza, os ex-dentes, as cicatrizes, as desfigurações. Cirurgias, sangramentos, fomes e comas. A morte tentava, mas não conseguia.
Até que, quase velho, voltou pra casa da mãe, sozinha, mais do que velha, surda.
Ele e ela. Calado, abafada. Outros meninos, como os antigos e os de sempre, jogando bola no beco. Ele não olhava.
Parou de roubar, de ser preso, de apanhar, de levar tiro e facada. Nos cantos. Sem conversa. Sem nada.
A única coisa era, todo fim de tarde, a pedido da mãe, ligar um disco de que ela gostava. Ela sentava e ouvia inteiro, de olhos fechados. O volume no máximo.
Nem sabia se a mãe ouvia. O sol no fim. Ele ali, ela lá. Ele em dó, ela em si.
Quando acabava o disco ela reabria os olhos – e refechava os ouvidos.
Um dia, não abriu mais.
Então, o então.
Todos os dias seguintes, por dois meses, ele ligou o mesmo disco. E o beco ouviu as músicas e o seu choro alto como de um surdo gritando.
Todo dia.
Até morrer.
Sem nunca ter jogado bola.
Mas devia.
(Texto de Luiz Guilherme Piva)

15 maio 2015

Canção da Meia-Noite

Canção da Meia-Noite
(Kleiton e Kledir)
Quando a meia-noite me encontrar
Junto a você
Algo diferente vou sentir
Vou precisar me esconder
Na sombra da lua cheia
Esse medo de ser
Um vampiro, um lobisomem, um saci-pererê
Um vampiro, um lobisomem, um saci-pererê
Dona senhora, meia-noite eu canto
Essa canção anormal
Dona senhora, nesta lua cheia
Meu corpo treme, o que será de mim?
Que faço força pra resistir a toda essa tentação
Das sombras da lua cheia, desse medo de ser
Um vampiro, um lobisomem, um saci-pererê
Um vampiro, um lobisomem, um saci-pererê

13 maio 2015

Sete Acertos

00) Maiores Prêmios de 7 acertos na Timemania:
01) 352 R$ 26,5 milhões (Set/2012; São Paulo-SP)
02) 628 R$ 22,0 milhões (Set/2014; São Gonçalo dos Campos-BA)
03) 552 R$ 16,6 milhões (Mar/2014; São Paulo-SP)
04) 585 R$ 13,9 milhões (Jun/2014; Curitiba-PR)
05) 669 R$ 12,2 milhões (Dez/2014; Santos-SP)
06) 141 R$ 11,4 milhões (Set/2010; Americana-SP)
07) 241 R$ 10,6 milhões (Ago/2011; Morada Nova-CE)
08) 069 R$ 09,9 milhões (Jun/2009; Brumado-BA)
09) 427 R$ 09,6 milhões (Mai/2013; São Paulo-SP)
09) 427 R$ 09,6 milhões (Mai/2013; Sumaré-SP)
11) 722 R$ 08,1 milhões (Mai/2015; São José dos Campos-SP)
12) 098 R$ 08,0 milhões (Jan/2010; Cambuquira-MG)
13) 373 R$ 08,0 milhões (Dez/2012; São Paulo-SP)
14) 016 R$ 07,8 milhões (Jun/2008; Salvador-BA)
15) 270 R$ 07,6 milhões (Dez/2011; Belo Horizonte-MG)
16) 172 R$ 07,1 milhões (Dez/2010; Goiânia-GO)
17) 203 R$ 06,8 milhões (Abr/2011; Recife-PE)
18) 299 R$ 06,4 milhões (Mar/2012; São Bernardo do Campo-SP)
19) 699 R$ 05,6 milhões (Mar/2015; Brusque-SC)
20) 479 R$ 05,4 milhões (Set/2013; Curitiba-PR)

11 maio 2015

Pão com Ovo

Marmanjo, grisalho, ainda leva a mãe para assistir a todos os seus jogos.
Pode ser no terrão, nas fazendas, nos estadiozinhos com degraus de arquibancada ou – ocorreu somente duas vezes nesses mais de trinta anos – no estádio municipal.
Ela de guarda-chuva, em pé, ou sentada numa toalha que sempre levam, com a garrafa de água e o sanduíche.
O mesmo que ela levava pra ele quando, moleque, começou a jogar nas peladas e nos times de roça, de bairro, de amigos e de escola. Era acabar o jogo, suado, polvilhado de terra, caiado de areia ou rebocado de lama e lá na cerca, na porteira, na estradinha, no barranco, estava ela, com o cantil e o pão com ovo.
Náufrago. Moribundo.
Ela com o pano úmido na sua testa.
“Fez gol, filho?”
“Hoje não, mãe.”
E o pão com ovo. De olhos fechados. Mastigado como se um milagre pleno se enovelasse na sua boca e se desmanchasse até a alma.
“Não faz mal, filho. Noutro jogo você faz.”
Mais de trinta anos tentando fazer gol em todos os jogos.
Para poder responder: “fiz, mãe!”
Claro que nem sempre conseguiu. E que foi ficando cada vez mais difícil fazer.
Ele já podia, devia até, em função da idade, ter parado de jogar.
Mas acha que morreria.
Não pelos jogos. Não pelos gols.
Até porque faz anos que está sempre na reserva. E há muito tempo não faz nenhum gol.
Mas pelo pão com ovo injetando-lhe vida.
E pela bênção repetida enquanto ele ainda está de olhos fechados terminando de mastigar: “não faz mal, filho. Noutro jogo você faz”.
(Texto de Luiz Guilherme Piva)

09 maio 2015

Corneteiros

As cornetas estão associadas ao futebol há décadas.
A história vem do tempo em que o Palmeiras ainda era chamado de Palestra Itália, nos anos 1930. Na esquina das ruas Caraíbas e Turiassu, conselheiros costumavam se reunir em um bar que era vizinho da Corneta Ferramentas, que se instalou nas redondezas em 1932.
A fábrica era especializada na produção de canivetes, que ficaram conhecidos como “pica fumo'', e posteriormente tesouras. Tanto o bar como a fábrica ficavam praticamente em frente ao portão principal do Palestra Itália.
O conselheiro e historiador do Palmeiras, Jota Christianini, conta como foi forjado o termo: “O pessoal da oposição se reunia ali no bar e quando começavam as reuniões do Conselho Deliberativo ou da diretoria, entravam todos juntos''. Não demorou para que alguém fizesse a analogia entre aquele grupo barulhento e a empresa que estava ali instalada.
“Alguém, em um dia, disse algo assim: ‘lá vem a turma da corneta’.” Segundo ele, o termo virou um símbolo da oposição palmeirense, notadamente crítica e barulhenta. “O pessoal costumava gritar muito nas reuniões. E 'do pessoal da Corneta' para ‘corneteiro’, foi meio natural. Essa é a história do termo corneteiro, que ficou associado a quem reclama de alguma coisa costumeiramente''.

07 maio 2015

Mega Bahia

00.00.0000 Ganhadores da Mega Sena na Bahia:
08.04.2006 (0753) – R$ 17.388.228,32 (Salvador)
05.04.2008 (0958) – R$ 00.978.205,14 (Feira de Santana)
21.03.2009 (1058) – R$ 03.671.709,67 (Salvador)
19.11.2011 (1338) – R$ 05.448.452,03 (Salvador)
10.03.2012 (1370) – R$ 07.499.281,75 (Salvador)
10.03.2012 (1370) – R$ 07.499.281,75 (Salvador)
11.05.2013 (1493) – R$ 01.471.764,39 (Salvador)
31.12.2013 (1560) – R$ 56.169.465,02 (Teofilândia)
28.06.2014 (1612) – R$ 21.337.822,84 (Feira de Santana)
05.05.2015 (1701) – R$ 02.018.423,55 (Ribeira do Pombal)

05 maio 2015

Craque Maior

Nem Pelé, nem Maradona.
O João Saldanha e o Juca Kfouri nunca viram.
Nenhum jornalista, analista, torcedor, espectador, pesquisador – ninguém jamais viu.
Mas o melhor jogador de futebol de todos os tempos deixa no chinelo os dois craques acima e todos os outros que disputam o posto.
Começou a carreira antes dos dez anos de idade. Desde a estreia faz lances e gols que Zico, Neymar, Ronaldo, Messi, Zidane, Rivelino, Reinaldo, Platini, Ronaldinho, Cruyff e qualquer outro jamais chegaram perto de executar.
Ainda hoje, com mais de cinquenta, segue se exibindo pelos gramados de todo o mundo, marcando vários gols por jogo, vencendo todos os campeonatos, sendo aplaudido de pé a cada partida, acumulando troféus e prêmios.
Já deve ter mais de 10 mil gols – a maioria de placa. Seus dribles, passes, lançamentos e chutes causam admiração mesmo revistos dezenas de vezes.
Sou eu.
O melhor jogador de futebol de todos os tempos sou eu.
Você nunca viu. Ninguém nunca viu.
Mas eu vi e sigo vendo.
Em sonhos, é verdade.
Mas garanto, podem acreditar: sou eu o melhor do mundo.
(Texto de Luiz Guilherme Piva)

03 maio 2015

Menina do Lido

Menina do Lido
(Elba Ramalho/Geraldo Azevedo)
Menina eu te conheço
Não sei de onde
Mas por incrível que pareça
Sei o seu nome, menina
Não sei se foi no bonde
De Santa Teresa

Como podia ser
Numa boutique em Copacabana
Ou num chá de caridade, menina
Promovido a quem de direito
O seu vestido era azul anil
E era domingo, viu?
Você nem ligou pra mim
É eu sou muito vivo
Te lembra menina
Do passeio, do sorvete
Na Praça do Lido?
Tu não te lembras
Do passeio, do sorvete
Na Praça do Lido

01 maio 2015

Sem Perdão

Jogavam o time da casa e o visitante, fraquíssimo, chamado São Francisco. Era só ganhar pra ir pra semifinal do torneio intermunicipal.
O sacristão, que nunca ia a jogo nenhum, mas era devoto, foi ao campo com a imagem do santo nas mãos.
Ficou quieto, passando a mão na cabeça do seu protetor.
O pessoal achou esquisito mas fez que não ligava.
Só que a irritação se instalou com o gol adversário.
Depois outro. Dois a zero.
Começaram a xingar o coitado, empurrá-lo.
Ele, com os olhos vermelhos, ergueu a imagem pros céus e começou a cantar:  “onde houver ódio que eu leve o amor”, três a zero!, veio o primeiro tapa – ele balançou e aumentou a voz: “onde houver ofensa que eu leve o perdão”, os cascudos violentos surgiram aos montes, pontapés, ele gritava “onde houver discórdia que eu leve a união”, quatro a zero! Até que virou chacina, ele caído, abraçado ao santo, a polícia chegou e o pessoal correu – mas ainda teve o quinto gol: cinco a zero!
São Francisco, zebra total, classificado! O time da casa, favoritíssimo, eliminado.
Dois cabos carregaram o coitado cheio de sangue – com o santo grudado ao peito – e contam que ele ainda balbuciou que perdoava para ser perdoado e que ali começava sua vida eterna.
(Texto de Luiz Guilherme Piva)