05 agosto 2015

Barcelonização

A história da Mooca está completamente entrelaçada com a do Clube Atlético Juventus, querida instituição paulistana. Isto é inegável. Porém, uma homenagem feita recentemente pelo time de futebol juventino ao bairro da Zona Leste de São Paulo não foi nem um pouco bem aceita pelos torcedores grenás.
Tudo aconteceu na semana passada. A Super Bolla, fornecedora de material esportivo do clube, resolveu inovar e lançou um novo uniforme para o Juventus. Grená e branco? Não, não, não. Majoritariamente azul, apenas com alguns detalhes nas cores tradicionais do clube. O motivo? Fazer referência ao azul da bandeira da Mooca, bairro que em 2015 completa 459 anos de história.
“O bairro de origem do Juventus, que conta com a mais fiel e apaixonada torcida, merecia um presente à altura”, definiu o clube, em um comunicado emitido no seu site oficial. “A camisa conta com detalhes grená e branco, com a frase Mooca 459 anos estilizada na base e com a bandeira do bairro nas costas, abaixo da gola. Deem as boas vindas ao novo manto que foi criado com carinho para a Mooca e toda a Nação Juventina”, completou.
Engana-se, porém, quem pensa que este último pedido foi atendido pela fanática torcida do Juventus. Dos mais tradicionalistas do Brasil, os fãs do clube paulistano se revoltaram com a inovação e sentiram falta das cores originais da equipe no novo uniforme. Até mesmo o estatuto da instituição foi citado, por exemplo, em uma postagem feita por um grupo de torcedores do Juventus no Facebook. As críticas foram direcionadas à ‘Barcelonização’ do clube: “A nossa camisa é a única coisa que temos para ter orgulho”.

03 agosto 2015

Fundação

Diego: “Foi o que falaram: erregê de todo mundo. Titular e reserva.”
Paulinho: “Erregê?”
Diego: “É.”
Zeca: “Que que é isso?”
Diego: “Não sei.”
Pedro: “Por que não perguntou?”
Carlão: “E o nome? Vamos decidir?”
Beto: “Eu sugiro Debóis.”
Diego: “Fiquei com vergonha.”
Carlão: “Debóis? Isso não é nome de time!”
Zeca: “Que que é Debóis?”
Paulinho: “Burro, devia ter perguntado! Vê aí no Google o que que é erregê!”
Diego: “Como é que escreve?”
Beto: “Claro que é! Debóis Esporte Clube.”
Fabinho: “Pessoal, podia ser Arco-Íris!”
Zeca: “O que é arco-íris?”
Fabinho: “Aquela ponte colorida que aparece no céu, Zeca!”
Carlão: “Zeca, você não sabe nada de nada, não?”
Fabinho: “Não fala assim com meu irmão! Ele tem só oito anos!”
Beto: “Eu também tenho oito e sei muito mais coisa!”
Diego: “E-erre-erre… É? O que é Debóis, então?”
Beto: “Não sei. Vi num filme.”
Fabinho: “Viu? Nem sabe e quer dar o nome pro time!”
Zeca: “O Diego nem sabe escrever erregê!”
Carlão: “Arco-íris não! Muito mulherzinha.”
Fabinho: “Mas é tão bonito!”
Pedro: “E o uniforme ia ter que ser cheio de cor!”
Paulinho: “Que cor vai ser o uniforme?”
Carlão: “Branco e preto!”
Diego: “Vermelho e preto!”
Zeca: “Podia ser todo branco!”
Paulinho: “Todo preto!”
Diego: “Meu irmão respondeu que erregê é identidade.”
Zeca: “Seu irmão tá no Google?”
Diego: “Não, Zeca! Eu escrevi pra ele!”
Zeca: “Eu não tenho identidade!”
Beto: “Nem eu.”
Carlão: “Vamos usar branco com azul porque dá pra aproveitar a camisa do colégio.”
Pedro: “Já sei: Erregê Esporte Clube!”
Paulinho: “Erregê?”
Carlão: “Gostei. Tá resolvido.”
Beto: “Por que você decide?”
Carlão: “Porque sou o mais velho, já fiz treze.”
Zeca: “Então põe Identidade Esporte Clube, pra todo mundo entender.”
Carlão: “Até que enfim, Zeca! Boa Ideia!”
Diego: “Quem vai lá fazer a inscrição?”
Pedro: “Vocês viram o time do Ricardo do sexto ano? Só tem grandalhão!”
Fabinho: “Precisa de foto?”
Beto: “Pode ser Identidade Debóis Clube?”
(Texto de Luiz Guilherme Piva)

01 agosto 2015

26 julho 2015

Ilustrador Infantil

Meu amigo Tiburcio 
(Texto de Paulo Cezar Guimarães)
Quem conhece a figura, sabe: Tiburcio só existe um, o meu amigo. Branco como a página em que escrevo este texto, desengonçado, comprido, óculos fundo de garrafa, fala mansa e pausada, cumprimenta a gente com a mão mais leve que uma pena. Mas não é por falsidade, não, é timidez mesmo. Se você consegue penetrar na intimidade dele, passa a conhecer uma pessoa admirável. Astuto, esperto, inteligente, criativo e, sobretudo, engraçado. Tão engraçado que resolvi contar três historinhas contadas por ele.
Certa vez, seu pai, que deve ser tão Tiburcio quanto ele, foi ao banco resolver um problema burocrático qualquer. Chegando ao caixa, percebeu que a moça tossia muito. Amável e prestativo, quis ajudá-la e disse-lhe que o melhor remédio para passar a tosse era levantar os dois braços e respirar fundo. Ela aceitou o conselho. Alguém de longe viu a cena e gritou: "É um assalto!".
Foi a maior confusão – conta Tiburcio.
As demais caixas se abaixaram, os outros funcionários esconderam-se atrás de armários e uma das subgerentes desmaiou. Pulou gente pra tudo que é lado. Até que o gerente, já debaixo de uma mesa, pensou: ‘Não pode ser. É o seu José. Ele tem 70 anos. Não pode estar assaltando’. Difícil foi esclarecer o caso à Polícia. 
Mas Tiburcio também tem as suas. Certa vez, no Rio, próximo à estação de trem da Leopoldina, meu amigo, que mora em Niterói, estava num ônibus. De repente, passou um trem cruzando a Avenida Francisco Bicalho e o ônibus teve que esperar. 
- Sem ter o que fazer - diz ele - fiquei contando os vagões do trem.
- Maior barato... 68 vagões. Contei tudinho, não deixei passar um sequer. 
Quando o trem acabou de passar, Tiburcio percebeu que o ônibus estava em silêncio total, as pessoas assustadas e o passageiro ao seu lado totalmente pálido.
- O que aconteceu com você? – perguntou meu amigo.
- Cara, você não percebeu? O ônibus foi assaltado – respondeu o passageiro.
- Ih! Então esqueceram de mim! – encerrou o assunto Tiburcio.
A última história ele chama de clássica, para mim é lírica:
- Estava cansado, com dinheiro no bolso e resolvi pegar um "frescão" para retornar à minha casa. Sentou-se ao meu lado um homem de terno, muito elegante e arrumado. No meio do caminho, puxou conversa comigo, com um jeito meio carente. Disse ser advogado, famoso, mas uma pessoa triste. Seus clientes eram bandidos, traficantes, marginais, corruptos. Abriu seu coração comigo e chegou a chorar. Contou que tinha medo de ser assassinado por um de seus próprios clientes. Durante toda a viagem, não me deixou falar um segundo.
Antes de sair, o advogado quis saber o que seu companheiro de viagem fazia. E Tiburcio respondeu:
- Eu? Ilustro livros de crianças. Não ganho dinheiro, mas sou feliz!

22 julho 2015

Prédio Ilhado

Um velho prédio residencial ficou "ilhado" no meio de um viaduto em formato de anel recém-construído em Guangzhou, na província chinesa de Guangdong.
O plano das autoridades era demolir o prédio para construção do complexo viário, mas vários moradores não aceitaram o acordo de indenização e preferiram  ficar, segundo a imprensa local.
As autoridades acabaram resolvendo fazer a obra mesmo assim.

20 julho 2015

Revolta das Peladas

Começou em algumas ruas. Depois se espalhou por outras. Tomou os terrenos, os pátios, os estacionamentos.
Quando se viu, também nas praças, nos jardins, nas estradas. Nos campos, montanhas, praias, heliportos, becos, escadarias, átrios, alamedas, vielas e morros.
Mais e mais gente aderindo. Bastava um espacinho plano ou nem tanto. Umas pessoas juntas.
Uma lata, ou pacote, ou papel amassado, ou caixa, meia, moeda, tampinha, boneca, madeira, fruta, legume – até bola valia.
Chutes, gritos, abraços, comemorações, corridas, risos.
De uma cidade multiplicou-se pra outra. De outra, pra outra. Desta, pra mais uma. Daquela, pra outra e da outra pra outra e pra mais uma.
Era um território!
Uma quantidade!
Uma infinitude!
Toda a população correndo, suando, misturando-se sem regras, sem juiz, sem federação, sem clube, sem divisas, sem fronteiras, sem comando, sem estádio, sem nada.
Traves imaginárias, milhões de jogadores, bolas para quem quisesse, chutões pro alto, dribles, tropeços, gols sem contagem.
Uma hora a coisa tomou o Brasil todo.
Um gol na foz do Arroio Chuí. Outro, na nascente do Rio Ailã. Lateral, só se a bola passasse a Ilha Trindade, de um lado, ou a nascente do Rio Moa, do outro.
Uma, muitas, todas as peladas do Brasil ao mesmo tempo.
Nenhum palmo do país vazio.
Sem hora pra acabar.
Todos jogando. Sem time de fora.
A manifestação das peladas. A revolta das peladas. A revolução das peladas.
Com objetivo, causa, bandeira, lema e horizonte muito claro: o futebol.
Não este que temos por aí.
Mas o futebol na sua essência.
Nu e cru.
(Texto de Luiz Guilherme Piva)

16 julho 2015

15 julho 2015

Fogo X Ficus

01 31/01/1952 - Botafogo 6x1 Figueirense (Amistoso) [F]
02 29/08/1973 - Botafogo 2x2 Figueirense (Série A) [F]
03 28/11/1973 - Botafogo 0x0 Figueirense (Série A) [F]
04 19/06/1974 - Botafogo 2x0 Figueirense (Amistoso) [F]
05 15/11/1979 - Botafogo 0x0 Figueirense (Série A)
06 13/04/1983 - Botafogo 4x0 Figueirense (Amistoso) [F]
07 06/12/1990 - Botafogo 1x2 Figueirense (Amistoso) [F]
08 19/04/1995 - Botafogo 1x1 Figueirense (Amistoso) [F]
09 19/07/2001 - Botafogo 2x3 Figueirense (Amistoso) [F]
10 28/07/2002 - Botafogo 0x1 Figueirense (Amistoso) [F]
11 24/08/2002 - Botafogo 3x0 Figueirense (Série A) [F]
12 22/05/2004 - Botafogo 1x1 Figueirense (Série A)
13 12/09/2004 - Botafogo 1x3 Figueirense (Série A) [F]
14 26/06/2005 Botafogo 0x1 Figueirense (Série A)
15 05/10/2005 - Botafogo 0x1 Figueirense (Série A) [F]
16 01/06/2006 - Botafogo 2x3 Figueirense (Série A)
17 08/10/2006 - Botafogo 0x1 Figueirense (Série A) [F]
18 16/05/2007 - Botafogo 0x2 Figueirense (Copa do Brasil) [F]
19 23/05/2007 - Botafogo 3x1 Figueirense (Copa do Brasil)
20 12/08/2007 - Botafogo 1x1 Figueirense (Série A) [F]
21 02/12/2007 - Botafogo 1x1 Figueirense (Série A)
22 07/08/2008 - Botafogo 2x1 Figueirense (Série A) [F]
23 30/11/2008 - Botafogo 1x3 Figueirense (Série A)
24 03/08/2011 - Botafogo 0x2 Figueirense (Série A) [F]
25 05/11/2011 - Botafogo 0x1 Figueirense (Série A)
26 28/07/2012 - Botafogo 1x0 Figueirense (Série A)
27 24/10/2012 - Botafogo 2x0 Figueirense (Série A) [F]
28 03/07/2013 - Botafogo 1x0 Figueirense (Copa do Brasil)
29 24/07/2013 - Botafogo 0x1 Figueirense (Copa do Brasil) [F] (5x4pen)
30 20/08/2014 Botafogo 0x1 Figueirense (Série A) [F]
31 19/11/2014 - Botafogo 0x1 Figueirense (Série A)
32 20/05/2015 - Botafogo 2x2 Figueirense (Copa do Brasil) [F]
33 14/07/2015 Botafogo 0x1 Figueirense (Copa do Brasil)
00 00/00/0000 - 08 empates
00 00/00/0000 - 09 vitórias do Botafogo
00 00/00/0000 - 16 vitórias do Figueirense

14 julho 2015

Vavá Tapá

Fala, miséra! Com o Bahia já encaminhado para a Série A de 2016 e Jacó como artilheiro da galáxia, vou dar um tempo no futebol. Tá rolando o Pan lá na terra dos touros: Toronto. Eu não me arrisco a pisar meus pés lá, mas estou aqui ligado nas modalidades. Eu só acho que alguns esportes ganharam um nome presepeiro, mas que vou traduzir para meus xibungos. Tem um tal de badminton. Nome muito grã-fino para dizer "baba de peteca". Já joguei muito com a velharada do Porto da Barra. Garanto que eles ganhariam medalha fácil. Eu tô doido pra ver um tal de pentatlo moderno. São 235 modalidades em uma só, véi. O cabra tem que pular um monte de obstáculo com o jegue, depois lutar de peixeira, nadar, além de  atirar com garruncha de dois tiros e dar aquela carreira de 100 metros. Parece concurso pra ser cangaceiro! Se o cara ficar vivo, ganha medalha e um seguro de vida.  Mas o que pretendo acompanhar de perto, com todo amor e carinho, é a modalidade de Ingrid de Oliveira. Não sei bem qual é, mas garanto que ela terá minha torcida, meu coração, além de meu barraco com comida e biquíni lavado. Fui, banda mel!