07 junho 2016
05 junho 2016
Bandeira Agrimensor
O sujeito era agrimensor, vindo da capital para obras na região.
Tornou-se autoridade local pelo respeito à sua sofisticada tarefa nas ruas,
estradas, fazendas.
Viam-no com o teodolito para todo lado, demarcando
fronteiras e rotas, resolvendo pendengas de divisas, delimitando e mapeando o
que era ignorado ou contencioso.
Aos domingos, assíduo nos jogos, começou a ser consultado
sobre impedimentos duvidosos porque uma ameaça de linchamento do bandeirinha se
dissipou quando ele interveio e disse que o auxiliar estava certo. Bastou:
anulou-se o gol e ninguém discutiu.
Nos muitos meses em que ficou por ali, até que as obras o
levassem para outra região, era obrigatório, nos jogos, que o juiz e os
bandeiras, na dúvida, olhassem para ele, sempre sentado no degrau mais alto, na
linha do meio de campo.
Ele fazia o sinal com o polegar, para cima ou para baixo,
para validar ou não a decisão do bandeirinha.
E ninguém discutia.
O problema foi quando ele partiu. Na primeira partida,
numa polêmica, lincharam o bandeirinha. Ninguém mais quis exercer a função.
Até hoje, me dizem, jogam sem bandeirinhas. O juiz deixa
que os jogadores se entendam. Não havendo acordo, acaba o jogo.
(Texto de Luiz Guilherme Piva)
03 junho 2016
Grito do Tarzan
Ele não era importante na charanga: tocava reco-reco.
Quase não era ouvido perto do tarol, do pandeiro, do pistão e do surdo na
animação da torcida – que eram só algumas dezenas de espectadores nos degraus
atrás do alambrado.
Mas jogo sem ele era sem graça. É que toda vez, no meio do
segundo tempo, ele, fraco, magro, calado, largava o reco-reco, pedia silêncio e
fazia o que era a atração principal, muito maior do que o jogo e a charanga.
Paravam todos para ver e ouvir. Jogadores, juízes,
torcedores, charanga, tudo.
Ele punha as mãos em conchas ao redor da boca e soltava o
grito do Tarzan do Johnny Weismuller. Aquilo levava uns 20 segundos. Ecoava ao redor do campo,
reverberava nos morros, alertava pássaros e motoristas longínquos, dividia a
tarde ao meio.
No final, abria a camisa e dava socos no peito magro.
Depois, o jogo, o reco-reco, o resto da tarde, agora
mudada.
Era o que valia a pena.
(Texto de Luiz
Guilherme Piva)
01 junho 2016
Futebol na Linha
Com a camisa
velha do Botafogo caindo nos ombros e alcançando os joelhos, o moleque baixo e
magrelo jogava bola na viela de terra sem saída ao lado da linha do trem.
Sozinho, em dois, três, quantos houvesse, entre as
cadeiras dos velhos fumando, as janelas das senhoras falando, as pernas das
moças crescendo, as casas descascadas, os cachorros e as poças e cacos e latas
e lençóis pendurados à beira da linha.
Tudo tremia
quando o trem passava. Já no apito de longe começava a correria pra tirar do
varal o que desse, pra evitar que a fumaceira sujasse tudo. Com medo, o moleque
parava o jogo, ficava atrás de uma cadeira, segurando a bola no peito. Ou atrás
das coxas das moças, abraçando seus joelhos. Depois da fumaça, do cheiro e das
tosses, bola ao chão, cigarros, janelas e moças.
Ao cheiro da poeira, da fumaça do trem e do suor do jogo,
foi se somando o das pernas das moças. A inquietude pra dormir. Nem sabia por
quê. Cresceu um pouco e já lhes abraçava as coxas na hora do trem, o rosto
atrás dos seus quadris.
Cresceu de vez,
foi ser eletricista, biscate, vendedor, jogador da várzea, o trem nunca mais
passou, uma das moças, novinha, se casou com ele. Fumando na viela, olha hoje a
linha parada, os molequinhos com camisas do Botafogo, um deles é seu filho. As
senhoras, os lençóis, a bola. E as pernas das novas moças.
Não pensa dessa forma, mas se soubesse e pudesse, diria
que o mundo e a história do mundo estão inteiros ali.
(Texto de Luiz Guilherme Piva)
25 maio 2016
Fechem Os Olhos
Vocês não estão vendo. Nem ninguém. Mas ali está havendo
um jogo. Onde? Ora, onde! Ali, bem à sua frente. Sei: nem mesmo o campinho
vocês enxergam, não é? Nem a mim, eu sei; só me ouvem.
Mas isso basta.
Prestem atenção à minha voz. Olhem para a frente. Mas não de olhos abertos.
Assim é que não verão nada mesmo. Façam como eu: fechem os olhos. Tapem-nos com
as mãos. Pronto. Agora vocês conseguirão assistir ao jogo.
Já veem o campinho, certo? Os buracos, as descaídas, o
capinzal no fundo, o barro eterno num dos cantos. A bola velha, soltando lascas
de couro, meio murcha. E o bando de moleques.
Reparem bem. Não são estranhos. São vocês. Magrelos,
joelhos esfolados, pés encardidos, suor por todo o corpo. Correndo sem parar.
Misturando-se uns com os outros, com o mato, com o barro, brigando pela bola
como cães atrás de comida. Caem, rolam, pulam, chutam, brigam, riem, se
abraçam, trocam socos, falam alto.
Vejam a si mesmos quando meninos jogando bola. Pensem em
vocês agora. Parecem seres distintos, eu sei. Mas não é para se espantarem.
Algo ocorreu – sempre ocorre, e não há quem saiba dizer o que é – desde aqueles
jogos até hoje que tornou tudo e todos aparentemente tão diferentes. Por isso é
que vocês não se reconhecem. Mas agora, observando bem, já têm certeza de que
são vocês, certo?
Então. Vejam o
jeito de cada um. A maneira de dominar a bola, de chutá-la, de esbravejar,
driblar, dar passes, comemorar. Parece inacreditável, mas é assim que vocês
ainda fazem hoje. Eu sei que vocês não jogam mais bola. Mas é por isso que
estou lhes mostrando esse jogo. Para que percebam que é naquele campinho, com
aquela bola, com os traços e modos que vocês tinham quando eram crianças e
jogavam futebol que vocês forjaram o que são hoje.
Não falo de modos físicos. Nem de fracassos e sucessos.
Falo da tormenta ou da paz de espírito. Da dignidade ou da covardia. Da
respiração forte ou fraca. Do olhar altivo ou baixo. Da percepção ou não do
espaço e do tempo e do que fazem ao percorrê-los. Esses são os fundamentos
adquiridos nas peladas da infância e que os anos transformam em caráter.
Tudo isso está ali, no jogo à sua frente. Só que vocês
então não o sabiam. Muito menos o sabem hoje. E tampouco o saberão daqui por
diante. Porque assim que destaparem e abrirem os olhos tudo será esquecido. E o
que é invisível voltará a sê-lo.
Vocês continuarão cegos, lutando, felizes ou infelizes,
atrás de algo que não sabem o que é. Mas que provavelmente é voltar a jogar
aqueles mesmos jogos. Para ter a chance – impossível – de tomar consciência de
que ali se decidia o que viriam a ser ou deixar de ser hoje.
Agora chega.
Podem abrir os olhos.
Veem? Pois é. É isso mesmo. Nada.
Não vemos nada, não é?
Mas é normal que não vejamos.
Porque não há
mais nada para ver.
Texto de Luiz
Guilherme Piva, autor de “Eram
todos camisa dez” (Editora Iluminuras)
22 maio 2016
Amor e Sexo
Amor e Sexo
000 (Rita Lee)
Amor é um livro
Sexo é esporte
Sexo é escolha
Amor é sorte
0 Amor é pensamento, teorema
0 Amor é novela
0 Sexo é cinema
Sexo é imaginação, fantasia
Amor é prosa
Sexo é poesia
0 O amor nos torna patéticos
0 Sexo é uma selva de epiléticos
Amor é cristão
Sexo é pagão
Amor é latifúndio
Sexo é invasão
Amor é divino
Sexo é animal
Amor é bossa nova
Sexo é carnaval
0 Amor é para sempre
0 Sexo também
0 Sexo é do bom
0 Amor é do bem
Amor sem sexo,
É amizade
Sexo sem amor,
É vontade
0 Amor é um
0 Sexo é dois
0 Sexo antes,
0 Amor depois
Sexo vem dos outros,
E vai embora
Amor vem de nós,
E demora...
0 Ah, o amor...
0 Hum, o sexo...
Sexo é esporte
Sexo é escolha
Amor é sorte
0 Amor é pensamento, teorema
0 Amor é novela
0 Sexo é cinema
Sexo é imaginação, fantasia
Amor é prosa
Sexo é poesia
0 O amor nos torna patéticos
0 Sexo é uma selva de epiléticos
Amor é cristão
Sexo é pagão
Amor é latifúndio
Sexo é invasão
Amor é divino
Sexo é animal
Amor é bossa nova
Sexo é carnaval
0 Amor é para sempre
0 Sexo também
0 Sexo é do bom
0 Amor é do bem
Amor sem sexo,
É amizade
Sexo sem amor,
É vontade
0 Amor é um
0 Sexo é dois
0 Sexo antes,
0 Amor depois
Sexo vem dos outros,
E vai embora
Amor vem de nós,
E demora...
0 Ah, o amor...
0 Hum, o sexo...
#
19 maio 2016
Tem Que Ser Você
Tem Que Ser Você
000 (Victor e Leo)
Um dia os seus pés vão
me levar
Onde as minhas mãos não podem chegar
Me leva onde você for
Estarei muito só sem o seu amor
00 Agora é a hora de dizer
00 Que hoje eu te amo
00 Não vou negar
00 Que outra pessoa não servirá
Tem que ser você
Sem por que, sem pra que
Tem que ser você
Sem ser necessário entender
00 Me leva onde você for
00 Estarei muito só sem o seu
amor
17 maio 2016
Corrida Olímpica
Caixa de Pandora é um artefato da
mitologia grega, tirada do mito
da criação de Pandora, que foi a primeira mulher criada por Zeus. A
"caixa" era na verdade um grande jarro dado a Pandora, que continha
todos os males do mundo. Pandora abre o Jarro, deixando escapar todos os males
do mundo, menos a "esperança". A esperança pode ser vista como um mal
da humanidade, pois traz uma ideia superficial acerca do futuro.
14 maio 2016
Top-12 Quina
Doze maiores prêmios da Quina:
01)
Concurso 3960 - Dezembro/2015
Xx) es01 Ganhador: R$ 15.678.501,07
00) es001 Macapá-AP
02)
Concurso 3517 - Junho/2014
Xx) 07 Ganhadores: R$ 14.956.974,60
00) 003
São Paulo-SP
00) 001
Ribeirão Preto-SP
00) 001
Queimados-RJ
00) 001
Ribas do Rio Pardo-MS
00) 001
Contagem-MG
03)
Concurso 3711 - Fevereiro/2015
Xx) es01 Ganhador: R$ 14.446.927,13
00) es001
Salvador-BA
04)
Concurso 3814 - Junho/2015
Xx) 09 Ganhadores: R$ 14.406.883,11
00) 002
São Paulo-SP
00) 001
Santos-SP
00) 001
Tapiratiba-SP
00) 001
Belo Horizonte-MG
00) 001
Uberaba-MG
00) 001
Brasília-DF
00) 001
Curitiba-PR
00) 001
Picuí-PB
05)
Concurso 2627 - Junho/2011
Xx) 05 Ganhadores: R$ 13.466.817,74
00) 001
São Paulo-SP
00) 001 Birigui-SP
00) 001
Manaus-AM
00) 001
Belo Horizonte-MG
00) 001
Londrina-PR
06)
Concurso 2925 - Junho/2012
Xx) 07 Ganhadores: R$ 12.712.834,52
00) 003
São Paulo-SP
00) 002
Rio de Janeiro-RJ
00) 001
Curitiba-PR
00) 001
Ituiutaba-MG
07)
Concurso 2777 - Dezembro/2011
Xx) es01 Ganhador: R$ 12.673.136,31
00) es001
Matinhos-PR
08)
Concurso 4069 - Abril/2016
Xx) es01 Ganhador: R$ 12.611.508,51
00) es001
Taguatinga-TO
09)
Concurso 3973 - Dezembro/2015
Xx) es01 Ganhador: R$ 12.193.832,59
00) es001
Goianápolis-GO
10) Concurso 3894 - Setembro/2015
Xx) es01 Ganhador: R$ 11.300.011,40
00) es001
São Paulo-SP
11) Concurso 4083 - Maio/2016
Xx) es01 Ganhador: R$ 10.761.752,35
00) es001
Rio de Janeiro-RJ
12) Concurso 3852 - Agosto/2015
Xx) es01 Ganhador: R$ 10.110.248,16
00) es001
Brasília-DF
#
13 maio 2016
Lua de Mel
Em Plena Lua de Mel
(Reginaldo Rossi)
Toda vez que o seu namorado sai
Você vai ver outro rapaz
Olha todo mundo está comentando
Seu cartaz tá aumentando
Moça linda, por favor
Guarde todo esse amor
pra um rapaz
Dá vergonha de dizer
O que disseram de
você, mas ouça
Dizem que o seu coração
Voa mais que avião
Dizem que seu amor
Só tem gosto de fel
Vai trair o marido em plena lua de mel
10 maio 2016
A Bola do Jogo
Ele era o astro
do melhor time da cidade. Goleiro, alto, forte, galã, admirado por todos,
desejado pelas mulheres.
Mas a dele, a que ele amava, o deixou.
Trocou-o pelo
centroavante do maior rival.
Todos achavam que sairia duelo, ou um tiro à sorrelfa, uma
surra encomendada, ao menos uma briga de rua.
O próprio
centroavante deixou de sair por um tempo, temendo a vingança.
Mas não. Ele entristeceu, chorou sozinho, perdeu o sono,
mas não fez nada.
Manteve-se nos
treinos e nos jogos. Com o mesmo garbo. Sorrindo do mesmo jeito para os fãs e
as fãs, agora mais esperançosas.
Até que veio o jogo entre eles. Decisão do campeonato.
A tensão durante
a semana cresceu a ponto de no domingo, no pequeno estádio, o silêncio se
impor: a charanga não tocou, não houve gritos, nem palmas pros times entrando,
nem vaias pros juízes.
Todos de olho nos dois.
Camisa 9. Camisa
1. Camisa 1. Camisa 9.
Eles não se olharam durante o aquecimento.
Sabiam que o
silêncio era a ansiedade pela cena que todos esperavam: eles haveriam de se
encontrar na área. Num escanteio, num cruzamento, ou num bate e rebate.
Mas no primeiro tempo, nada. O melhor time manteve-se no
ataque e encurralou o outro. Pressão, chutes, gols perdidos, jogadas pelo alto
e pelo chão, uma saraivada. Sem sucesso.
Zero a zero.
No segundo tempo, a mesma coisa. A torcida até já se
esquecia do duelo entre os dois. O drama do jogo se sobrepunha ao confronto
passional.
Faltando cinco
minutos parecia inevitável o gol do melhor time. O goleiro, lá atrás, seguia de
roupa limpa, sem qualquer lance que o tivesse testado. Mas...
Mas histórias como esta sempre têm um mas.
E o mas foi uma
bola roubada pelo adversário na defesa, tocada pro lateral-esquerdo, que, de
primeira, a passou pro meia, que a enfiou lisa, firme, rasteira, pra corrida do
centroavante.
O campo adversário todo livre.
O centroavante
partiu de seu campo e se viu sozinho, disparando em direção ao gol do rival.
Mesmo sem tocar na bola, correndo atrás dela, ele sabia,
pelas distâncias e velocidades, que chegaria nela antes do goleiro. Pouco
antes, quase juntos.
O goleiro
percebeu o mesmo, mas demorou um pouquinho a mais pra sair, deu um tempo para
que o centroavante a dominasse antes da meia-lua e entrasse na área.
Só então se moveu.
Desde o toque do
lateral para o meia o estádio pressentira os movimentos e recomeçara a
silenciar. Quando o meia enfiou, tudo ficou mudo. Dava pra ouvir os carros
passando na rua.
Nos segundos da arrancada do centroavante, nem era mais o
silêncio. Era o centro do redemoinho. A absoluta ausência de qualquer som.
Todos parados,
olhos abertos, bocas pendentes, mãos sem lugar.
Camisa 9. Camisa 1.
Os demais
jogadores ficaram onde estavam. Nenhum deles, dos dois times, ousou se mexer.
Só olhavam.
Camisa 1. Camisa 9.
O chiado na
grama da chuteira do centroavante correndo. Sua respiração.
A respiração do goleiro.
O centroavante
entrou na área e goleiro saiu, avançando firme.
A bola não era mais a bola.
A bola agora era
ela.
A ex do goleiro e atual do centroavante.
O corpo e o
rosto dela ali, nos pés do atacante, nos olhos do goleiro.
A bola era toda ela.
E ela era a bola
do jogo.
O que se deu foi de espantar.
O goleiro
ignorou a bola e voou com os pés no peito e no pescoço do centroavante.
Derrubou-o com tal violência que ele caiu fora da área.
Derrubou-o e se levantou rapidamente. Pôs-se de pé ao lado
do corpo caído, como o toureiro vigiando o estertor do animal.
Um oh varreu a
torcida. Um ai envergou os jogadores.
Mas e ela?
E a bola?
Antes de levar o golpe o centroavante havia dado um
toquinho de leve, para ajeitá-la, preparando o chute. Esse toquinho a fez ir se
movendo lenta, quase parando, em direção ao gol.
O goleiro não
olhou para trás. Ela ia sem forças, mas avançando até a linha fatal.
Nem o goleiro, nem os torcedores, nem os jogadores
repararam. Fixaram-se na cena do goleiro em pé ao lado do centroavante no chão.
O juiz,
assustado, começou a andar para o local para marcar o pênalti. Mas viu.
Só ele viu.
Viu que a bola
entrava de mansinho, cruzava a linha, rodava seu último giro, até atravessar inteira
a cal e parar dentro do gol, um milímetro depois da listra.
Ele apitou. Soou tão forte que fez com que todos
despertassem. Apontou para o centro do campo.
Gol.
Um a zero.
O goleiro,
derrotado, foi expulso. O centroavante, campeão, para o hospital.
Terminou o jogo.
Mas não a
história.
O centroavante e a mulher mudaram-se para outro estado.
Sumiram.
Só que anos
depois ele se desencantou e decidiu se separar.
Ela voltou para a cidade sob os olhos e ouvidos de todos.
Foi morar sozinha, trabalhar, refazer a vida. Mas.
Mas estas
histórias sempre têm mais de um mas.
E o outro mas é que um dia ela procurou o goleiro.
Tocou sua
campainha.
Ele abriu a porta. Olhou-a. Rememorou tudo.
Viu-a como se
ela de novo fosse a bola daquele lance.
Como se ela fosse de novo a bola do jogo.
E a porta fosse
a linha do gol.
Pensou que agora não poderia falhar. Que não poderia tomar
o mesmo gol outra vez.
Respirou fundo,
cerrou os olhos – e fechou a porta na cara dela.
Passou a tranca por dentro.
E nunca mais
saiu.
Só morto, semanas depois.
(Texto de Luiz Guilherme Piva)
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