Oscar
Wilde (1854-1900), escritor, poeta e dramaturgo britânico
de origem irlandesa.
19 fevereiro 2017
Caráter e Ética
“Chamamos de ética
o conjunto de coisas que as pessoas fazem quando todos estão olhando. O
conjunto de coisas que as pessoas fazem quando ninguém está olhando chamamos caráter.”
17 fevereiro 2017
Tostão
"Diferentemente da frase do ex-jogador
Falcão, que ficou famosa, de que o jogador morre duas vezes, uma quando para de
jogar e outra quando morre de fato, tive, quando encerrei a carreira, uma
perda, mas também um renascimento. Morremos e renascemos várias vezes na vida,
até desistirmos, ou até que a vida desista de nós."
(Tostão)
15 fevereiro 2017
Respeitabilidade
1: “O bom humor espalha mais felicidade que todas as riquezas do mundo.
Vem do hábito de olhar para as coisas com esperança e de esperar o melhor, e
não o pior.”
13 fevereiro 2017
Boi e Sexo
- Não é um boi!
- Eu
sei, não sou um boi, sou um touro reprodutor.
- Não é isso. Para. Sai de cima de mim. Eu descobri. Não é um boi. Sempre interpretaram a música errado.
- Você enlouqueceu de vez. O que é que está acontecendo? A gente quase nunca transa. Quando enfim acontece você para tudo e fala de música?
- É sério. Não sei como tive esse insight só agora, mas é esclarecedor. Não é um boi. Deve ser um caminhão, uma moto, qualquer coisa, mas não é o boi que todo mundo sempre pensou que fosse.
- Você está tendo algum tipo de alucinação? Que história é essa de boi, moto, caminhão?
- É simples. Você lembra da música Menino da Porteira?
- Essa música tem uns 100 anos, mas é claro que lembro.
- Lembra do trecho "quem matou o meu filhinho foi um boi sem coração"? Pois é, não é um boi. É uma metáfora. O boi sem coração não é um boi, é uma máquina. Por isso é que eu digo que foi uma moto, um caminhão. Entende o que eu digo? As pessoas não chamam moto de cavalo de aço? Pois é, o boi sem coração também é uma máquina. Se fosse mesmo um boi, não teria feito aquilo. O menino conhecia todos os bois, os bois conheciam ele, por que o matariam? Mas não foi um boi. Como é que ninguém nunca pensou nisso?
- Você está louca. Nós transamos a cada 15 dias, sempre às terças, porque é nas quartas que você pode acordar mais tarde. Você impôs essa regra e eu aceitei. Hoje é a segunda vez que estamos fazendo amor neste mês. Eu estava gostando. Estava aproveitando esse momento e você pensando numa música caipira do século passado?!
- Esquece o resto. Você também não acha que não pode ser um boi?
- O que eu acho é que você é uma vaca! Se você não gosta de sexo, é só dizer. Primeiro impõe esse cronograma ridículo, depois no meio da escassa oportunidade de se entregar fica pensando num boi. Você deve ser frígida. Esse seu boi foi um grande argumento para acabar com tudo. Para cortar esse raro sexo entre nós dois. Mas precisava de toda essa encenação? Era só falar, estou com dor de cabeça, dor nas pernas, dor nas juntas, dor no diabo que a carregue.
- Não é isso. Para. Sai de cima de mim. Eu descobri. Não é um boi. Sempre interpretaram a música errado.
- Você enlouqueceu de vez. O que é que está acontecendo? A gente quase nunca transa. Quando enfim acontece você para tudo e fala de música?
- É sério. Não sei como tive esse insight só agora, mas é esclarecedor. Não é um boi. Deve ser um caminhão, uma moto, qualquer coisa, mas não é o boi que todo mundo sempre pensou que fosse.
- Você está tendo algum tipo de alucinação? Que história é essa de boi, moto, caminhão?
- É simples. Você lembra da música Menino da Porteira?
- Essa música tem uns 100 anos, mas é claro que lembro.
- Lembra do trecho "quem matou o meu filhinho foi um boi sem coração"? Pois é, não é um boi. É uma metáfora. O boi sem coração não é um boi, é uma máquina. Por isso é que eu digo que foi uma moto, um caminhão. Entende o que eu digo? As pessoas não chamam moto de cavalo de aço? Pois é, o boi sem coração também é uma máquina. Se fosse mesmo um boi, não teria feito aquilo. O menino conhecia todos os bois, os bois conheciam ele, por que o matariam? Mas não foi um boi. Como é que ninguém nunca pensou nisso?
- Você está louca. Nós transamos a cada 15 dias, sempre às terças, porque é nas quartas que você pode acordar mais tarde. Você impôs essa regra e eu aceitei. Hoje é a segunda vez que estamos fazendo amor neste mês. Eu estava gostando. Estava aproveitando esse momento e você pensando numa música caipira do século passado?!
- Esquece o resto. Você também não acha que não pode ser um boi?
- O que eu acho é que você é uma vaca! Se você não gosta de sexo, é só dizer. Primeiro impõe esse cronograma ridículo, depois no meio da escassa oportunidade de se entregar fica pensando num boi. Você deve ser frígida. Esse seu boi foi um grande argumento para acabar com tudo. Para cortar esse raro sexo entre nós dois. Mas precisava de toda essa encenação? Era só falar, estou com dor de cabeça, dor nas pernas, dor nas juntas, dor no diabo que a carregue.
- Eu
não entendo por que você está tão bravo. É por que a descoberta não foi sua,
seu sabe-tudo?
- Você está louca. Você e seu boi, sua moto, sua máquina.
- Amorzinho. Não fica assim. Eu tive uma revelação durante o sexo. Isso não é ótimo? Vem aqui. Isso significa que vamos ter que repetir isso várias vezes. Todo dia. Muitas vezes ao dia. Há muitos mistérios a solucionar. Imagina descobrir o que é "zabelê, zumbi, besouro", o que significa "açaí, guardiã, zum de besouro, um imã", por que o lobo alimenta a matilha... As oportunidades são ilimitadas só na MPB...
- Pensando bem. Acho que gostei desse boi.
#- Você está louca. Você e seu boi, sua moto, sua máquina.
- Amorzinho. Não fica assim. Eu tive uma revelação durante o sexo. Isso não é ótimo? Vem aqui. Isso significa que vamos ter que repetir isso várias vezes. Todo dia. Muitas vezes ao dia. Há muitos mistérios a solucionar. Imagina descobrir o que é "zabelê, zumbi, besouro", o que significa "açaí, guardiã, zum de besouro, um imã", por que o lobo alimenta a matilha... As oportunidades são ilimitadas só na MPB...
- Pensando bem. Acho que gostei desse boi.
10 fevereiro 2017
Final de Copa
De terno e gravata, ficou em pé assistindo. Terrão, sol
humilhante, dois times (com camisa e sem camisa) de rapazes simples jogavam
como numa final de Copa do Mundo.
Suava, estava atrasado, se empoeirava, o compromisso era
importante – mas ele não saía do lugar.
Viu que tinha uns galões de água, fez sinal pra um dos
jogadores pedindo pra tomar. Virou no bico, esfregou a boca com as costas da
mão, molhou o cabelo, pôs as mãos na cintura abrindo as asas do paletó e voltou
a assistir.
Não pensava mais no tempo. A tarde crepitava. O jogo
parecia que não teria fim. O zunido dos carros na estrada. Gols comemorados
como vitórias numa guerra. O manto de poeira.
De cócoras. Com a mão em continência pra apurar a vista. A
boca seca. Os lábios nos mesmos galões em que todos tomavam.
E foi aquilo. Um se machucou, tio, entra aí, quem, eu?, é,
tio, completa aí, mas só estou assistindo, faz tempo que não jogo, só completa,
de terno?, vai logo, tio, peraí, boa.
Era no time de camisa. Deixou o paletó no chão e entrou.
Não sabia mais o que estava acontecendo. Sol, poeira,
carros, a bola, os jogadores em volta, ele correndo sem parar, a gravata
balançando, os sapatos doendo, o suor empapando tudo, o barulho do tempo
zunindo, zunindo, zunindo, escurecendo, quem fizer acaba, mas ninguém fazia, o
jogo não acabava, quase noite, ele correndo, tocando, chutando, tropeçando, a
boca cheia de terra, já não se via mais nada...
O carro tá lá no capinzal faz mais de um mês. Depenado.
Quem mora em volta não sabe como ele foi parar lá. Ninguém
se lembra de ter visto nada: nem acidente, nem pelada, nem ninguém saindo do
carro, dizem que naquele campo ninguém joga há anos.
Mas a polícia segue procurando o corpo.
É que acharam um paletó no chão, sujo de terra, do lado do
campo.
Mas sem nada. Nenhum documento, nenhum papel. Nada.
(Texto de Luiz
Guilherme Piva)
08 fevereiro 2017
Sabedoria Indígena
== “Quando
for cortada a última árvore, pescado o último peixe e poluído o último rio, é
que os homens perceberão que não podem comer dinheiro.”==
06 fevereiro 2017
04 fevereiro 2017
03 fevereiro 2017
Grandeza
==“A grandeza de uma pessoa está em saber reconhecer sua
própria pequenez.”==
Blaise Pascal (1623-1662),
filósofo, físico, matemático e escritor francês.
#01 fevereiro 2017
23 janeiro 2017
Sonho de Menino
Nunca foi de estudar, não. Negócio dele era bola, o dia
todo.
Às vezes ajudava a mãe a preparar as coisas pra vender na
rodoviária, mas logo se mandava pro campinho.
Comigo, nem pensar. Veio conhecer o ponto, expliquei tudo
(grupo, dezena, os rateios), não quis saber. Deu uma brecha e sumiu.
Mas nunca deu trabalho. Chegava sujo, tomava banho,
deitava, de manhã saía pra escola – mas ia nada, só quando não arrumava pelada
no caminho.
Bom, agora taí. Moço, alto. Diz que vai embora. Tentar um
time numa cidade maior. Fala nisso o dia todo. A gente tenta mudar a cabeça
dele, mas vai dizer o quê? Pra vender sacolé, fazer jogo do bicho?
O medo é de que ele não volte nunca mais.
(Texto de Luiz Guilherme Piva)
19 janeiro 2017
Torcida Única
Morava numa
pensão ali em frente. Era feriado, almoçou tarde, andou um pouco e resolveu
entrar no estadiozinho. Nem gostava muito, mas se distrairia.
Sentou-se no cimento, o campo quase sem grama, os times
entrando aos poucos, e viu que só havia ele assistindo.
Certamente
chegaria mais gente. Da pensão sempre via ao menos umas dezenas entrando e
saindo.
Mas não.
Hora de começar
o jogo e ninguém nos degraus, só ele.
Tinha pensado em ficar uns minutos e sair. Mas agora não
tinha jeito. Sentiu-se responsável: aprumou a postura, fixou os olhos mostrando
interesse, não podia fingir que não estava ali.
O jogo morno,
arrastado.
Mas ele começou a aplaudir um lance aqui, a dizer “boa!”
pra uma jogada ali, a incentivar os dois times.
Levantava-se:
“vamos, vamos!”; “chuta!”, “abre na direita!”; e até um “uh!” num chute que
passou mais perto.
Os jogadores foram se animando. Tinham cochichado, antes
de começar, que devia ser maluco: sozinho, naquele sol, no feriado, vir
assistir a um jogo que não valia nada.
Mas, com os
comentários e incentivos, começaram a se dedicar. A jogar para ele. Faziam um
lance e o olhavam, como se buscassem sua aprovação. E viam-no cada vez mais
envolvido, animado, assoviando, batendo palmas: “toca mais a bola!”; “volta pra
marcar!”; “as costas, as costas, cuidado!” – para os dois times.
Até que soltou, muito alto, sem pensar, um “seu filho da
puta!” pro centroavante que furou na cara do gol.
Todos pararam e
o olharam. Ele estava alterado, vermelho.
E então se deu conta. Estancou. Sentiu o impacto.
Estranhou-se
como se saísse de um transe que o tomara aos poucos.
Olhou em volta. Vazio. O campo. Os jogadores.
O eco do
palavrão ainda reverberava, subia, batia no sol e descia como uma bigorna.
Sentou-se desajeitado. O jogo recomeçou lento.
Minutos depois,
ele se levantou, foi saindo aos poucos, cabeça baixa, passou pelo portão, foi
embora.
Os jogadores ficaram espiando sua saída. Mantiveram os
lances devagar checando se ele desistiria. Depois, pararam e esperaram pra ver
se ele voltava.
Ã-ã.
Só o sol, o silêncio e o vazio.
E desistiram.
Acabaram o jogo – não tinha juiz mesmo, eles é que
resolviam.
Mas não
perdoaram o centroavante, que foi sendo xingado por todos até o vestiário.
Quer dizer, o barraco atrás do gol.
(Texto de Luiz Guilherme Piva)
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