09 agosto 2017
Orgasmo
Os suínos são os animais cuja duração do
orgasmo ocorre durante fantásticos 30 minutos seguidos em êxtase. Para grande
tristeza humana, o orgasmo do homem dura cerca de 10 segundos e o da mulher
cerca de 15 segundos.
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07 agosto 2017
05 agosto 2017
03 agosto 2017
Que Jogo!
No bar, já com algumas rodadas de chope, começaram a brincar de voltar no
tempo. Mas com destino específico: voltar a determinado jogo a que tinham
assistido, seja no estádio, seja na televisão.
Um falou do Brasil 4 x 1 Itália em
1970. Todos fizeram “ah!”, expressando aprovação e saudade. Ele tinha dez anos,
ficava ao lado da TV arrumando a antena e o controle das horizontais. A sala
cheia, os gritos, as bandeirinhas de papel, as pessoas na rua depois do jogo, o
sol, o domingo que nunca mais acabaria.
Outro estalou os dedos e citou Botafogo 6 x 0 Flamengo em 1972. Mas não
era botafoguense e sim flamenguista. Sete anos de idade, a camisa do time, a
dor de cada gol rasgando um pouco sua camisa e seu peito – logo era noite, o
choro em soluços, a escola no dia seguinte com as gozações que ainda ressoavam
na sua cabeça.
“Não tem comparação”, disse outro:
“Corinthians 1 x 0 Ponte Preta, em 1977, gol do Basílio”. Notou-se sua emoção
ao descrever o lance, os saltos nos chutes que antecederam o arremate fatal do
“pé-de-anjo”, o grito rouco, já era rapazinho, o pai até o deixara tomar um
copo de cerveja, ficou ouvindo rádio até não haver mais assunto, redesenhando
na mente, deitado, todo o lance.
Surgiram clássicos Atlético x Cruzeiro, Grêmio x Internacional, o Brasil 2
x 3 Itália de 1982 – que provocou lamentos, xingamentos e até um choro,
aplacado com um gole grande e uns tapinhas nas costas. E outros tantos jogos,
às vezes citados ao mesmo tempo, causando certa alegria em uns, tristeza em
outros, mas sempre com a aura de “que jogo, que jogo!”.
Só um, calado, apenas olhando,
bebericando, não citou nenhum. Notaram. “E você, nenhum jogo? Logo o mais
fanático por futebol? Não tem nenhum que você gostaria de voltar pra ver?”
Recostou-se, escorreu o corpo na cadeira, passou as duas mãos nos cabelos,
suspirou. Todos o olhavam.
“Tem”, respondeu. “Eu era pequeno, no
interior. Domingo de manhã fui pela primeira vez ver meu pai jogar na várzea.
Ao lado do meu tio, vi o poeirão subindo nas disputas de bola, os empurra-empurras,
os palavrões da torcida e dos jogadores, meu pai no banco, aguardando. Ele
olhava pra mim às vezes, dava tchau. Eu perguntava pro meu tio se ele não ia
jogar. ‘Vai, sim, já, já ele entra.’”
“Ganhei picolé, bala, biscoito de polvilho. O jogo já durava a vida
inteira. Até que o vi se levantar do banco, arrumar o meião, ficar à beira do
campo. Quando ele entrou meu coração virou um balão, subiu ao céu, planou sobre
o mundo todo. E o vi correndo, dominando a bola, chutando. Era meu pai. Deu um
carrinho que a torcida aplaudiu. Uma cabeçada que me pareceu que ele subira
mais alto que um super-herói. Era meu pai.”
Na mesa, todos em atenção total. Nem
mexiam nos copos.
“E acabou o jogo. Não sei quanto ficou. Sei que fui encontrá-lo. Ele
suado, a camisa com o número 3 nas costas, a chuteira velha, a barba rala, o
cheiro, a aliança apertando o dedo já mais gordo, os pelos nas pernas. Era meu
pai.”
Bebeu um gole.
“Nunca mais fui ver. Ele também parou de jogar logo depois. Só o via
depois com a roupa de trabalho: camisa, calça, sapato e a pastinha de vendedor.
A mesma com que foi enterrado – sem a pastinha, claro.”
Fechou os olhos. Todos calados. “Eu
queria voltar a esse jogo. Só pra gritar o que eu não gritei naquele dia.
Queria gritar alto: ‘É meu pai! É meu pai!”. Não sei por que não gritei. Fiquei
só olhando. Ele, às vezes, no campo, olhava pra mim. Sempre sonho que ele
esperava que eu gritasse. Mas não gritei.”
Olhou em volta, bateu na mesa com as duas mãos. “Agora já era. Não dá
mais.”
Uns segundos de silêncio.
Pediram a conta. Foram embora.
(Texto de Luiz Guilherme Piva)
01 agosto 2017
23 julho 2017
Morte Única
=“Os covardes morrem várias vezes antes da sua morte, mas o
homem corajoso experimenta a morte apenas uma vez.”=
(William Shakespeare, dramaturgo e poeta inglês)
#19 julho 2017
Futebol Fantasma
Fantasmas, sim. Eles sempre jogam
ali. Chegam de noitinha, batem bola, dividem-se e começam.
Todos eles. Conheço todos. Vi cada um
deles crescer, viver e morrer aqui no bairro. Pedreiros, vendedores, garçons,
chapas, camelôs. Um deles foi alfaiate. E um ruço bexiguento que só bebia.
Foram morrendo. Uns moços; outros, de
velhice. De uns anos pra cá começaram a se reunir ali pra jogar bola.
Começa bem na hora que eu pego no
serviço. Abro o portão, entro, fecho, limpo os pingos de velas do chão, jogo
fora os restos de flores e vou pra guarita.
Precisa, sim, de vigia. Antes não
tinha. Mas andaram roubando de tudo aqui: azulejos, vasos, dentes, anéis,
sapatos, sumiu até corpo de mulher nova.
Eles não me veem. Ou fingem, não
importa. Fico ali fumando, de vez em quando grito “chuta!”, “cuidado!”, mas não
ouvem. Só dá um grande eco no escuro.
Passa carro às vezes, bem no meio
deles. No início eu me assustava, achava que ia atropelá-los, mas hoje dou
risada. Também moto, gente, bicicleta. São poucos, mas passam. E não veem nada.
Ainda bem. Iam se assustar. As
cabeças deles parecem máscaras: pálidas, sem pupilas, banguelas. Mas o corpo é
igual ao de quando eram vivos.
Sabe que é um futebol até bonito?
Leve, silencioso, sem briga.
O que me pergunto sempre é sobre a
bola. Como é que pode ter bola fantasma?
Sim, bola fantasma. Porque ninguém
que passa por aqui vê a bola. Só eles. Se fosse bola de verdade, o pessoal
veria, não?
Como eu vejo? Não sei. Mas vejo tudo.
Até a bola.
Meia-noite eles param. É a hora que
eu desligo tudo. Deito no colchonete. Espero amanhecer.
Não sei até quando.
Não deve demorar.
Mas até que é bom saber que logo,
logo vou ter essa peladinha pra jogar com eles.
(Texto de Luiz Guilherme Piva)
17 julho 2017
15 julho 2017
Inexoravelmente
A Natureza das Coisas
#
(Accioly Neto)
Oh! chá lá lá lá lá lá lá
Oh! coisa boa é
namorar
Se avexe não
Amanhã pode acontecer
tudo
Inclusive nada
Se avexe não
A lagarta rasteja até o dia
Em que cria asas
Se avexe não
Que a burrinha da
felicidade
Nunca se atrasa
Se avexe não
Amanhã ela pára na porta
Da sua casa
Se avexe não
Toda caminhada começa
No primeiro passo
A natureza não tem
pressa
Segue seu compasso
Inexoravelmente chega
lá
Se avexe não
Observe quem vai
subindo a ladeira
Seja princesa ou seja lavandeira
Pra ir mais alto vai
ter que suar
#
13 julho 2017
11 julho 2017
Incontinência Verbal
As habituais reações desmesuradas do presidente dos Estados
Unidos, Donald Trump, transmitem a sensação de que falta a
ele o indispensável equilíbrio para exercer função de tamanha responsabilidade
no contexto global.
09 julho 2017
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