05 novembro 2017
03 novembro 2017
Mardita Pinga
Começou a música, um bêbado levantou-se cambaleante, dirigiu-se
a uma senhora de preto e pediu:
- Madame, me dá o prazer dessa dança?
E ouviu a seguinte resposta:
- Não, por quatro motivos:
Primeiro, o senhor está bêbado!
Segundo, isto é um velório!
Terceiro, não se dança o Pai Nosso!
E quarto, porque “Madame” é a puta que o pariu! Eu sou o
padre!
#
01 novembro 2017
W.O.
Amontoados na Kombi velha iam
titulares, reservas, isopores, bolas, motorista/treinador/dono do time e da
Kombi, sacolas e pá, corda, balde e outras tralhas.
Tinha empurra-empurra, reclamações e
zoeira com os esbarrões e as posições inconvenientes, gritaria na janela quando
passavam por moças no caminho, rádio ligado, bateção no teto e no lado de fora
da lataria e sacolejos enormes na estrada de terra esburacada.
Valia a pena. Jogo em fazenda grande,
com campo gramado e rede. E sempre rolava um bicho – pouca coisa, mas dava pra
juntar uns trocos jogando nas redondezas. O histórico de vitórias era bom.
O mais velho contava, pra inveja dos
mais novos, que tinha até comprado um Vaporetto (“dos grandes, com rodinha”)
pra mãe só com os bichos. Outro mostrou o tênis – de segunda mão, mas novo. O
goleiro exibiu o Ray-Ban (“legítimo, legítimo”).
E nesse jogo o bicho seria dobrado,
porque o anfitrião convidara.
Só que a Kombi quebrou. Falhou um
pouco, tossiu, rosnou, atirou, emudeceu, bufou – e parou. Nenhum sinal na
chave. Uma fumacinha na tampa do motor. Desceram todos, palpitaram, cutucaram,
mexeram nuns cabos e tentaram empurrar. Nem soluço.
Começou a irritação, o pessoal
reclamando com o dono, bate-bocas, empurrões, deixa-dissos, até que alguns
decidiram que deveriam ir a pé.
“A pé?” “Estão loucos?” “A pé, sim.”
“Mas são dez quilômetros ainda!” “Bora a pé!” “Vai ter jogo e vai ter bicho!”.
Só o dono ficou. Coçando a cabeça,
olhando o motor, torcendo pra passar alguém ali no ermo.
Tardinha. Noite. Madrugada. Ninguém
voltou.
Ele dormiu dentro do carro e acordou
com o sol no rosto. Nem sinal do time. Nem de ninguém. Virou-se com a água de
um isopor e as goiabas do entorno.
Quase meio-dia e passou um senhor na
bicicleta. Podia ajudar, tinha um sobrinho mecânico.
Só no fim da tarde vieram os dois. O
rapaz deu um jeito e o motor funcionou.
O dono foi até a fazenda onde seria o
jogo.
Não tinha aparecido ninguém lá. O
time da casa ficara esperando um tempão e desistira.
Voltou com a Kombi gaguejando até em
casa. Procurou os jogadores nos sítios e roças e não achou ninguém. Nem
notícia.
Depois de uns dias sem qualquer
sinal, fizeram um velório simbólico coletivo.
Até que um dia um dos mais novos
voltou. Pra roda assustada contou que na caminhada pra fazenda encontraram um
caminhão cujo dono, vendo-os uniformizados, resolveu levá-los pra cidade dele,
na lona, longe, depois da divisa do estado. E lá jogaram e lá ficaram. Mais
ainda, o caminhão começou a excursionar com eles, pagar bichos, arrumar roupa,
pensão, comida, ganharam as estradas, depois alguns se dispersaram, ele seguiu
jogando com os demais.
“E por que voltou?”
Abriu a sacola, pegou os óculos
escuros, o par de tênis e o Vaporetto, que entregou, emocionado, à mãe. Tudo
comprado com os bichos das excursões.
“Já conquistei o que queria.”
E por lá ficou, no trabalho da roça,
enquanto o tempo fazia morrerem a mãe, dois dos seis irmãos, muitos conhecidos
– e ele mesmo, num dia de chuva, numa foiçada de um vizinho.
(Texto de Luiz Guilherme Piva)
25 outubro 2017
Perdendo Sempre
A TV pequena, em preto e branco, cheia de chuviscos, faixas
horizontais e verticais, sem som, ficava no fundo do botequim.
Os da frente ainda viam um pouco. Os do meio pra trás tinham que
deduzir.
Mas todos vidrados em sagrado silêncio.
Fumo, cachaça, rapadura, pão velho.
Do lado de fora, nada.
Um terreno perdido e vasto.
Empoeirado.
Depois de morros e trilhas.
Era o único lugar por ali em que o pessoal das roças de todas as
distâncias podia ver futebol.
Um deserto marrom.
Tufos de mato secos, queimados.
Cercas.
Só o telhado de amianto do boteco e a espinha de peixe da antena
quebravam a paisagem.
Bicicletas velhas na porta.
As botinas do lado de fora pra não sujar o recinto.
Calor e moscas.
O ar parado.
De noitinha, todos de volta às suas distâncias.
À partida que eles venciam fugazmente naquelas horas de futebol
aos domingos.
Todo o resto, antes e depois, dentro e fora do botequim, sem o
futebol, era derrota.
E sem ninguém pra assistir.
(Texto de Luiz Guilherme Piva)
#21 outubro 2017
Bebemorando
Sábado à noite, o sujeito resolve levar a mulher para tomar umas
cervejas num barzinho.
Quando eles estão na segunda rodada, ela diz, assustada:
- Amor, você está vendo aquele cara ali naquela mesa, enchendo a
cara de uísque?!
- Estou, por que? O que tem esse babaca?
- É o meu ex-marido! Eu me separei dele há sete anos e até hoje
ele não conseguiu parar de beber!
- Não fala besteira! – discorda o marido – Ninguém consegue
comemorar tanto tempo assim!
#
#
19 outubro 2017
17 outubro 2017
Ecos do Eco
“As Redes Sociais deram voz aos imbecis. Há de tudo por lá. Ainda
é um mundo selvagem e perigoso. Tudo surge lá sem hierarquia. A imensa
quantidade de coisas que circula é pior que a falta de informação. O excesso de
informação provoca a amnésia. Informação demais faz mal. Quando não lembramos o
que aprendemos, ficamos parecidos com animais. Conhecer é cortar, é selecionar.”
(Umberto Eco [1932-2016], escritor, sociólogo, filósofo, linguística e bibliófilo
italiano, especialista mundial em semiótica)
#15 outubro 2017
13 outubro 2017
Assinatura
Benigno Mattos, tabelião e vereador por cinco mandatos em
Olindina, na Bahia, lá um dia recebe no cartório João Claro da Cruz, o João de
Clara, semianalfabeto, morador da zona rural, querendo reconhecer a firma da
própria assinatura, uns garranchos daqueles que saíram da caneta a duras penas.
Olhou,
comentou com desdém:
–
Isso é lá assinatura! Parece que uma barata fez cocô e a merda se espalhou pelo
papel!
João
reagiu:
–
Quando você me pediu voto para vereador, a assinatura era essa e valeu.
–
Mas você não votou.
E
João, cheio de moral:
–
Ah! E é por isso que minha assinatura virou cocô de barata e você não reconhece
a firma, não é?
11 outubro 2017
Bastidores da Justiça
Apaixonado pela nova juíza da comarca, o
advogado dirigiu-lhe a seguinte petição inicial:
Eu, bacharel em direito
conforme a lei em vigor,
venho com todo o respeito
requerer o seu amor.
Meu coração tem urgência
e, não podendo esperar,
peço que Vossa Excelência
me conceda a liminar.
Caso eu a tenha ofendido
com a inépcia do pedido,
rogo pelo amor de Deus:
Se me faltou algum tato,
prenda-me por desacato,
mas prenda nos braços seus.
Prontamente, a magistrada despachou:
Em toda a minha carreira
como juíza de direito,
nunca vi tanta besteira
nem tamanho desrespeito.
Minha conduta moral
é lei que não se revoga
nem com sustentação oral
debaixo da minha toga.
Por isso, ilustre advogado,
seu pedido tresloucado
indefiro nesta liça.
Depois, com a noite em curso,
eu aguardo o seu recurso
em segredo de justiça.
conforme a lei em vigor,
venho com todo o respeito
requerer o seu amor.
Meu coração tem urgência
e, não podendo esperar,
peço que Vossa Excelência
me conceda a liminar.
Caso eu a tenha ofendido
com a inépcia do pedido,
rogo pelo amor de Deus:
Se me faltou algum tato,
prenda-me por desacato,
mas prenda nos braços seus.
Prontamente, a magistrada despachou:
Em toda a minha carreira
como juíza de direito,
nunca vi tanta besteira
nem tamanho desrespeito.
Minha conduta moral
é lei que não se revoga
nem com sustentação oral
debaixo da minha toga.
Por isso, ilustre advogado,
seu pedido tresloucado
indefiro nesta liça.
Depois, com a noite em curso,
eu aguardo o seu recurso
em segredo de justiça.
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09 outubro 2017
Vida Breve
Por que os cães vivem menos que as pessoas?
Aqui está a resposta, por uma
criança de 6 anos:
Sendo um veterinário, fui chamado para examinar um cão de 13
anos de idade chamado Batuta.
A família esperava por um milagre.
Examinei Batuta e descobri que ele estava morrendo de câncer e
que eu não poderia fazer nada...
Batuta foi cercado pela família. O menino, Pedro, parecia tão
calmo, acariciando o cão pela última vez, e eu me perguntava se ele entendia o
que estava acontecendo. Em poucos minutos, Batuta caiu pacificamente dormindo
para nunca mais acordar.
O garotinho parecia aceitar sem dificuldade. Ouvi a mãe se
perguntando por que a vida dos cães é mais curta do que a dos seres humanos...
Pedro disse:
- Eu sei por quê!
A explicação do menino mudou minha maneira de ver a vida.
Ele disse:
- A gente vem ao mundo para aprender a viver uma boa vida, como
amar aos outros o tempo todo e ser boa pessoa, né?! Como os cães já nascem
sabendo fazer tudo isso, eles não têm que viver por tanto tempo como nós.
Moral da história:
Se um cão fosse seu professor, você aprenderia coisas como:
* Quando teus entes queridos chegarem em casa, sempre corra para
cumprimentá-los.
* Nunca deixe passar uma oportunidade de ir passear.
* Permita que a experiência do ar fresco e do vento, na sua
cara, seja de puro êxtase.
* Tire cochilos.
* Alongue-se antes de se levantar.
* Corra, salte e brinque diariamente.
* Melhore a sua atenção e deixe as pessoas te tocarem.
* Evite "morder" quando apenas um "rosnado"
seria suficiente.
* Em um clima muito quente, beba muita água e deite-se na sombra
de uma árvore frondosa.
* Quando você estiver feliz, dance movendo todo o seu corpo.
* Delicie-se com a simples alegria de uma longa caminhada.
* Seja fiel.
* Nunca pretenda ser algo que não é.
* Se o que você quer, está "enterrado"... cave até
encontrar.
E nunca se esqueça:
Quando alguém tiver num mal dia, fique em silêncio, sente-se
próximo e suavemente faça-o sentir que você está ali.
EIS O SEGREDO DA FELICIDADE QUE OS CÃES TODOS OS DIAS NOS
ENSINAM.
07 outubro 2017
O Tempo
O tempo é como um rio. Você nunca poderá tocar na mesma água
duas vezes, porque a água que já passou, nunca passará novamente.
Aproveite cada minuto de sua vida e lembre-se:
Nunca busque boas aparências, porque elas mudam com o tempo.
Não procure pessoas perfeitas, porque elas não existem.
Mas busque acima de tudo, um alguém que saiba o seu verdadeiro
valor.
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