29 janeiro 2026
26 janeiro 2026
IRE-2303
O
MILAGRE DA CERVEJA
Eu estava distraído lendo as manchetes de jornal numa banca na rua Frei Caneca quando de repente alguém cutuca meu ombro me pedindo com uma voz bastante familiar:
- Ei, você pode me pagar uma cerveja?
Virei para trás curioso e constatei surpreso:
- Cara, você é o Raul Seixas né?
- Sim, bicho. Sou eu mesmo e estou na merda...
Naqueles tempos de hiperinflação no Brasil não era vergonha nenhuma estar em má situação financeira, mesmo assim fiquei um tanto quanto encabulado em dizer pro artista famoso que eu também dispunha de muito pouco vil metal naquele momento:
- Cara, eu até consigo pagar uma cerveja, mas apenas uma mesmo...Estou tão fudido quanto você...
- Então que seja uma - ele decretou satisfeito.
Cerveja é igual banho, tem que tomar todos os dias - ele completou sorrindo.
Fomos para o bar no mesmo quarteirão e enquanto bebíamos começamos a conversar sobre amenidades.
Raul me disse que tinha lido no jornal que um cara havia morrido de jaca...
- Você já viu alguém morrer de jaca? - me perguntou.
- Nunca vi, como assim?
Indigestão? Alergia? - eu quis saber.
- Que nada, bicho. Uma jaca caiu na cabeça do cara justamente na hora em que ele passava debaixo da árvore, disse Raul gargalhando gostosamente em seguida.
Comecei a rir também da desgraça do infeliz.
De repente Raul parou e me olhou sério.
- Porra, esse Brasil é uma charrete que perdeu o condutor, a coisa tá preta mas o negócio é manter o bom humor.
Concordei com ele enquanto enchíamos os copos mais uma vez.
Apesar do papo animado não pude deixar de notar que Raul estava um tanto quanto debilitado, mas a energia que ele emanava maquiava todo o resto.
Como que lendo meu pensamento ele disse:
- Não sinta pena de mim, eu tô fazendo o meu caminho e não peço que me sigam, as coisas acontecem exatamente como têm que acontecer.
Enchemos os copos outra vez...
Senti a garrafa mais pesada que antes, estranhei mas estava tão envolvido com a conversa que logo esqueci.
Ele me disse que quanto mais rodeado estava, mais se sentia só e emendou dizendo que por isso adorava conversar com estranhos.
Naquele momento me senti o estranho mais importante do mundo.
A vida fica sem graça demais sem uma cerveja e um amigo ao lado para conversar - filosofou.
Concordei novamente.
E assim ficamos certo tempo, conversando e bebendo.
Até que num dado momento ao encher nossos copos mais uma vez, reparei espantado no milagre da cerveja.
Àquela única garrafa não acabava nunca, continuava sempre cheia.
Eu e ele já havíamos bebido uns dez copos americanos cada um, ao ponto de ficarmos levemente embriagados.
Intrigado, perguntei:
- Raul, qual é a mágica dessa garrafa?
Quando ele abriu a boca para me responder:
TRIMMMMMMM!!!!
Era o meu velho despertador tocando.
Pulei da cama atrasado outra vez só pra variar e saí apressado rumo a Central do Brasil para mais um dia de trabalho, afinal de contas cerveja não cai do céu.
(Alanderson Hudson)
Eu estava distraído lendo as manchetes de jornal numa banca na rua Frei Caneca quando de repente alguém cutuca meu ombro me pedindo com uma voz bastante familiar:
- Ei, você pode me pagar uma cerveja?
Virei para trás curioso e constatei surpreso:
- Cara, você é o Raul Seixas né?
Naqueles tempos de hiperinflação no Brasil não era vergonha nenhuma estar em má situação financeira, mesmo assim fiquei um tanto quanto encabulado em dizer pro artista famoso que eu também dispunha de muito pouco vil metal naquele momento:
- Cara, eu até consigo pagar uma cerveja, mas apenas uma mesmo...Estou tão fudido quanto você...
- Então que seja uma - ele decretou satisfeito.
Cerveja é igual banho, tem que tomar todos os dias - ele completou sorrindo.
Fomos para o bar no mesmo quarteirão e enquanto bebíamos começamos a conversar sobre amenidades.
Raul me disse que tinha lido no jornal que um cara havia morrido de jaca...
- Você já viu alguém morrer de jaca? - me perguntou.
- Nunca vi, como assim?
Indigestão? Alergia? - eu quis saber.
- Que nada, bicho. Uma jaca caiu na cabeça do cara justamente na hora em que ele passava debaixo da árvore, disse Raul gargalhando gostosamente em seguida.
Comecei a rir também da desgraça do infeliz.
De repente Raul parou e me olhou sério.
- Porra, esse Brasil é uma charrete que perdeu o condutor, a coisa tá preta mas o negócio é manter o bom humor.
Concordei com ele enquanto enchíamos os copos mais uma vez.
Apesar do papo animado não pude deixar de notar que Raul estava um tanto quanto debilitado, mas a energia que ele emanava maquiava todo o resto.
Como que lendo meu pensamento ele disse:
- Não sinta pena de mim, eu tô fazendo o meu caminho e não peço que me sigam, as coisas acontecem exatamente como têm que acontecer.
Enchemos os copos outra vez...
Senti a garrafa mais pesada que antes, estranhei mas estava tão envolvido com a conversa que logo esqueci.
Ele me disse que quanto mais rodeado estava, mais se sentia só e emendou dizendo que por isso adorava conversar com estranhos.
Naquele momento me senti o estranho mais importante do mundo.
A vida fica sem graça demais sem uma cerveja e um amigo ao lado para conversar - filosofou.
Concordei novamente.
E assim ficamos certo tempo, conversando e bebendo.
Até que num dado momento ao encher nossos copos mais uma vez, reparei espantado no milagre da cerveja.
Àquela única garrafa não acabava nunca, continuava sempre cheia.
Eu e ele já havíamos bebido uns dez copos americanos cada um, ao ponto de ficarmos levemente embriagados.
Intrigado, perguntei:
- Raul, qual é a mágica dessa garrafa?
Quando ele abriu a boca para me responder:
TRIMMMMMMM!!!!
Era o meu velho despertador tocando.
Pulei da cama atrasado outra vez só pra variar e saí apressado rumo a Central do Brasil para mais um dia de trabalho, afinal de contas cerveja não cai do céu.
(Alanderson Hudson)
23 janeiro 2026
IRE-2302
O município
paraibano de Puxinanã, com 13 mil habitantes, é conhecido como
a "Cidade dos Lajedos” e “Terra do Melhor Beiju do Mundo”. O nome do
município vem do tupi puxi–nanã e significa "ananás
incomestível", em referência ao fruto da bromélia, semelhante a um
abacaxi.
19 janeiro 2026
16 janeiro 2026
IRE-2300
O bebê de 12 quilos do reino das aves
Imagine ser do tamanho de uma galinha e carregar em seu ventre um único ovo que representa até 25% do seu peso corporal. No isolamento da Nova Zelândia, o Kiwi realiza um milagre biológico que beira o impossível e desafia as leis da anatomia. Para uma mulher de 60 quilos, esse esforço seria o equivalente a dar à luz um bebê de 12 quilos. É o recorde absoluto de investimento reprodutivo no mundo das aves, uma proeza evolutiva onde a vida é gerada sob uma pressão física extrema.
O
raio-X de uma fêmea antes da postura é chocante: o ovo ocupa um espaço tão
vasto que os órgãos internos são literalmente comprimidos contra as paredes do
corpo, deixando o mínimo de espaço apenas para que a ave consiga respirar e se
mover com dificuldade. Nos dias finais dessa jornada, a fêmea é forçada a parar
de comer simplesmente porque não existe mais espaço físico para o estômago se
expandir. É um sacrifício biológico silencioso em nome da perpetuação da
espécie.
Mas o esforço não termina no nascimento do ovo. O período de incubação é um dos mais longos da natureza, durando entre 70 e 80 dias de proteção devotada. Essa dedicação extrema resultou em um ovo tão rico em gema que o filhote já nasce praticamente pronto para o mundo, uma estratégia de sobrevivência única para compensar o fato de ser uma ave que não voa. O Kiwi não é apenas uma curiosidade da fauna; é o símbolo máximo de que a devoção materna e o instinto podem superar os limites mais severos da biologia.
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Imagine ser do tamanho de uma galinha e carregar em seu ventre um único ovo que representa até 25% do seu peso corporal. No isolamento da Nova Zelândia, o Kiwi realiza um milagre biológico que beira o impossível e desafia as leis da anatomia. Para uma mulher de 60 quilos, esse esforço seria o equivalente a dar à luz um bebê de 12 quilos. É o recorde absoluto de investimento reprodutivo no mundo das aves, uma proeza evolutiva onde a vida é gerada sob uma pressão física extrema.
Mas o esforço não termina no nascimento do ovo. O período de incubação é um dos mais longos da natureza, durando entre 70 e 80 dias de proteção devotada. Essa dedicação extrema resultou em um ovo tão rico em gema que o filhote já nasce praticamente pronto para o mundo, uma estratégia de sobrevivência única para compensar o fato de ser uma ave que não voa. O Kiwi não é apenas uma curiosidade da fauna; é o símbolo máximo de que a devoção materna e o instinto podem superar os limites mais severos da biologia.
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13 janeiro 2026
10 janeiro 2026
07 janeiro 2026
04 janeiro 2026
01 janeiro 2026
IRE-2295
Antes de virar presidente, antes de
ser manchete diária, antes de o país se dividir em lados opostos, Dilma Rousseff já tinha aprendido cedo o que era resistir quando tudo desmorona.
Ela nasceu em Belo Horizonte, em
1947, filha de um imigrante búlgaro que fugiu do nazismo e de uma professora
brasileira. Cresceu em uma casa onde estudar, ler e questionar eram parte da
rotina. Na juventude, encontrou um Brasil sob ditadura militar. Entrou na
política não por projeto de poder, mas por inconformismo.
No fim dos anos 1960, passou a
integrar grupos de resistência ao regime. Não comandou ações armadas, mas atuou
na organização política clandestina. Em 1970, foi presa. Tinha 22 anos. Passou
quase três anos encarcerada, submetida a interrogatórios violentos e tortura —
fatos reconhecidos oficialmente pelo Estado brasileiro décadas depois. Ao sair
da prisão, não recebeu proteção nem atalhos. Teve que recomeçar do zero.
Mudou-se para o Rio Grande do Sul.
Voltou a estudar, formou-se em Economia pela UFRGS e seguiu carreira técnica no
setor público. Trabalhou com planejamento e energia. Ganhou fama de gestora
rígida, exigente, focada em resultados. Nunca foi conhecida pelo carisma, mas
pela capacidade técnica.
Nos anos 1990, aproximou-se do
Partido dos Trabalhadores. No governo do Rio Grande do Sul, foi secretária de
Energia e depois de Administração. Em 2003, com Lula eleito presidente, assumiu
o Ministério de Minas e Energia. Teve papel central na reorganização do setor
elétrico após o apagão do início dos anos 2000.
Em 2005, depois da crise do mensalão,
Lula a nomeou ministra-chefe da Casa Civil. Tornou-se a principal coordenadora
do governo federal. Em 2009, enfrentou um câncer linfático. Passou por
quimioterapia, perdeu o cabelo, seguiu trabalhando durante o tratamento e teve
remissão completa da doença.
Em 2010, Lula a escolheu como
sucessora. Dilma venceu a eleição e se tornou a primeira mulher presidente do
Brasil. Tomou posse em 2011. Seu governo manteve políticas sociais, investiu em
infraestrutura e deu continuidade a grandes projetos, mas enfrentou
desaceleração econômica e dificuldades crescentes de articulação política. Em
2013, o país viveu grandes manifestações de rua.
Em 2014, venceu uma eleição apertada.
O segundo mandato começou sob forte crise econômica e política. O Congresso se
voltou contra o governo. O vice-presidente, Michel Temer, rompeu politicamente.
Em 2015 e 2016, avançou o processo de impeachment.
Aqui está o ponto que divide o Brasil
até hoje.
Do ponto de vista legal, o impeachment
seguiu o rito previsto na Constituição. A acusação se baseou nas chamadas
“pedaladas fiscais” e em decretos orçamentários. Dilma não foi acusada de
corrupção nem de enriquecimento pessoal.
Do ponto de vista político, muitos
juristas, estudiosos e observadores internacionais afirmam que houve um golpe
parlamentar. As práticas usadas como base da acusação já haviam sido adotadas
por governos anteriores sem punição. O impeachment resolveu um impasse político
usando um instrumento legal.
Em 31 de agosto de 2016, Dilma perdeu
o mandato. Quem assumiu foi Michel Temer, o vice-presidente. O Senado retirou o
cargo, mas manteve seus direitos políticos — algo incomum em casos de crime de
responsabilidade e que alimenta o debate até hoje.
Depois da Presidência, Dilma manteve
atuação política mais discreta no Brasil. Em 2023, foi indicada para a
presidência do Novo Banco de Desenvolvimento, o banco dos BRICS, com sede na
China.
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