06 julho 2026

IRE-2368

Podemos tentar entender uma derrota por vários ângulos.
O mais natural é analisar o jogo em si e seus erros.
Um pênalti perdido, um gol desperdiçado.
Alguns preferem procurar culpados. Este ou aquele.
Eu tenho a mania de olhar o contexto.
O time merecia? Fez as coisas certas?
Lutou o suficiente? Teve atitude?
Há tempos o Brasil não mostra atitude.
Vivemos sob a névoa do achar, mas não do executar.
Cometemos o erro de acreditar que o talento resolve tudo.
Que basta reunir jogadores habilidosos e, em algum momento, dará certo.
Enquanto o mundo valoriza o coletivo, a humildade e a luta, seguimos na direção oposta, acreditando que a habilidade, sozinha, resolverá o problema.
A imagem de Neymar dizendo ao goleiro “nós somos foda”, com o jogo praticamente perdido, retrata o Brasil de hoje.
Falta humildade.
Falta entender que, para ganhar, é preciso atitude, e não arrogância.
É preciso morder, e não apenas cercar.
Ficamos pelo caminho.
Mas, muito mais importante do que juntar os cacos e colocar culpados na fogueira, é entender que precisamos mudar a forma como encaramos as coisas.
Há muito deixamos de ser os melhores, apesar de alguns narradores e comentarista insistirem em vender essa ideia ao povo. Precisamos entender que campeões são os que vencem, não necessariamente os mais talentosos.
Fomos os melhores. Não somos mais.
Ganhamos cinco títulos. Ganhamos.
Hoje, porém, não somos a melhor seleção.
Não praticamos o melhor futebol.
Enquanto a fumaça esconder a verdade, seremos apenas a sombra do que fomos.
E sabe o pior?
Nossos filhos talvez nem tenham em quem se inspirar para torcer.
Nossas referências de ídolos despencaram.
Nossa ideia de valores se perdeu.
E a compreensão de quanto é preciso lutar... essa parece ter desaparecido primeiro.
(Texto de Fernando Fino Meligeni)
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